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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Os Sete Sacramentos



O que é um sacramento?


Procuremos, em primeiro lugar, compreender bem o que é um sacramento, donde vem e para que serve. Esta simples noção fará cair já a maior parte das objeções, como, perante a exposição clara da verdade, dissipam-se todos os erros.

O catecismo diz que "sacramento é um sinal sensível, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para produzir a graça em nossas almas e santificá-las."

Desta definição resulta que três coisas são exigidas para constituir um sacramento:

a) "Um sinal sensível", representativo da natureza da graça produzida. Deve ser "sensível" porque se não pudéssemos percebê-lo, deixaria de ser um sinal. Este sinal sensível consta sempre de "matéria" e de "forma", isto é, da matéria empregada e das palavras pronunciadas pelo ministro do sacramento.

b) Deve ser "instituído por Jesus Cristo", porque só Deus pode ligar um sinal visível a faculdade de produzir a graça. Nosso Senhor, durante a sua vida mortal, instituiu pessoalmente os sete sacramentos, deixando apenas à Igreja o cuidado de estabelecer ritos secundários, realçá-los com cerimônias, sem tocar-lhe na substância.

c) "Para produzir a graça". Isto é, distribuir-nos os efeitos e méritos da redenção que Jesus Cristo mereceu por nós, na cruz... Os sacramentos comunicam esta graça, "por virtude própria", independente das disposições daquele que os administra ou recebe. Esta qualidade, chamada pela teologia "ex opere operato", distingue os sacramentos da "oração", das "boas obras" e dos "sacramentais", que tiram a sua eficácia "ex opere operantis" das disposições do sujeito.



Os sacramentos não são meras representações

Os protestantes ensinam que os sacramentos são meras cerimônias exteriores, testemunhando que a graça está na alma, sem o poder de infundi-la. E um erro fundamental e grosseiro.

Para provar irrefutavelmente a necessidade dos sacramentos, é preciso recorrer à sublime doutrina da graça, ou da nossa vida sobrenatural. Verdade que os protestantes não negam em seu princípio, mas em seus meios. Os sacramentos são, de fato, os meios, os canais, para transmitir-nos a graça divina, os merecimentos de Jesus Cristo.

A graça, que a teologia define "um dom sobrenatural de Deus", por causa dos méritos de Jesus Cristo, como meio de salvação, é tudo na religião católica, é sua seiva, o seu sopro, a sua alavanca.

Querendo ou não, todos os homens devem viver da graça ou se perderão eternamente. Ou escolhem a vida de Cristo que é a graça, ou a vida da carne que é o vício; a salvação ou a perdição.

Santo Agostinho define a graça da seguinte forma: "A graça é como o prazer que nos atrai... Não há nada de duro na santa violência com que Deus nos atrai... tudo é suave e benfazejo" (Sermo 133, cap. XI). Esta palavra é admirável: a graça é um verdadeiro poder atrativo, que provém à vontade, a estimula e leva a Deus, a atrai por deleitação interior, e faz amar, como por instinto, Aquele que a nossa razão devia amar acima de tudo: Deus. Este termo "atrativo" parece novo em teologia, entretanto ele é a expressão da palavra de Nosso Senhor: "Ninguém pode vir a mim, se Aquele que me enviou não o atrair" (Jo 8, 22). E esta outra: "Uma vez levantado da terra, atrairei tudo a mim - omnia traham ad meipsum" (Jo 12, 32).



O que é a graça e a necessidade dos sacramentos

A graça em seu princípio é, pois, a vida de Deus em nós: "Participatio quaedam naturae divinae", diz Santo Tomás.

Para comunicar-nos a sua vida, Deus podia agir imediatamente sobre a nossa alma; ele o faz às vezes. A simples elevação dos nossos corações, pela oração, podia produzir este efeito, mas além desta ação imediata de Deus sobre a alma, além do meio da oração, Deus instituiu meios particulares para comunicar-nos as suas graças, meios obrigados, indispensáveis: estes meios são os sacramentos.

Vejamos esta necessidade; está admiravelmente descrita por S. Paulo (Rom. 6, 1-14): "Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum" (6, 1). "Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos" (8). "O pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça" (14).

Há, pois, duas vidas em nós: a vida do pecado e a da graça. Ora, esta graça é o dom de Deus, proveniente dos méritos de Jesus Cristo. É a seiva desta graça que deve circular em nós: "Nós somos os ramos, Cristo é o tronco" (Jo 15, 4-5). Deve haver união completa, íntima entre os meios de transmissão da graça e a alma que recebe esta graça, como há união completa entre o tronco e os ramos.

Na oração e nas boas obras esta união completa não existe... Deve haver outro meio e este meio são os sacramentos. Os sacramentos tornam-se, neste sentido, os canais transmissores da graça divina às almas. Canais estabelecidos por Jesus Cristo, como veremos, e portanto necessários.



Como provar a existência dos sete sacramentos?

É um dogma, definido pelo Concílio de Trento, que existem os sacramentos e que são em número de sete, condenando o erro protestante.

São, pois, sete os sacramentos, nem mais, nem menos, contra os protestantes que nunca estiveram de acordo entre si sobre este ponto. A Igreja católica sempre ensinou e sempre ensinará que há sete sacramentos, porque assim recebeu o ensino dos Apóstolos, tanto pela Tradição, como pelo Evangelho, e assim o vai transmitindo aos séculos. Nunca houve discussão a este respeito na Igreja, embora não encontremos nos primeiros séculos a enumeração metódica que hoje empregamos na citação dos sacramentos.

Três argumentos temos às mãos para provar a tese dos sete sacramentos, e todos três são irrefutáveis:

a) A crença dos séculos

b) O bom-senso

c) O Evangelho

A) Crença Secular

O primeiro argumento da crença popular desta verdade parece remontar ao século V., quando até mesmos os hereges, como os monofisitas e os nestorianos, aceitavam o número dos sete sacramentos. Em textos deles é explícito o número de sete sacramentos, recebidos da Igreja Romana.

b) O Bom-senso

É apenas argumento de conveniência, é certo, mas este argumento tem o seu valor pela analogia perfeita que estabelece entre as leis da vida natural e as leis da vida sobrenatural.

Santo tomas explica admiravelmente esta analogia. Os sete sacramentos reunidos são necessários e bastam para a vida, conservação e prosperidade espiritual, quer do corpo inteiro da Igreja, quer de cada membro em particular.

Os cinco primeiros são estabelecidos para o aperfeiçoamento pessoal, os dois últimos para o governo e a multiplicação da Igreja.

Na ordem natural, para o aperfeiçoamento pessoal, é preciso: 1o. nascer; 2o. fortificar-se; 3o. alimentar-se; 4o. curar-se na enfermidade; 5o. refazer-se nos achaques da velhice.

Para o aperfeiçoamento moral a humanidade carece de: 1o. Autoridade para governar, 2o. Propagação para perpetuar-se.

Tal é a ordem natural. Temos os mesmos elementos na ordem espiritual:

1o. O batismo é o nascimento da graça

2o. A crisma é o desenvolvimento da graça

3o. A eucaristia é o alimento da alma

4o. A penitência é a cura das fraquezas da alma

5o. A extrema-unção é o restabelecimento das forças espirituais

6o. A ordem gera a autoridade sacerdotal

7o. O matrimônio assegura a propagação dos católicos e das suas doutrinas.

Os sete sacramentos são, deste modo, como outros tantos socorros, dispostos ao longo do caminho da vida, para a infância, a juventude, a idade madura e a velhice; para as duas principais "carreiras" que se oferecem: sacerdócio e casamento.

Não se pode negar que a analogia é admirável e estabelece que deve haver sete sacramentos. Se houvesse menos, faltaria qualquer coisa; se houvesse mais, haveria um supérfluo; todas as necessidades estão preenchidas.

c) O Evangelho

Para o protestante, escravo da letra da bíblia, o último argumento deve ser o mais decisivo. Estarão expressos no Evangelho os sete sacramentos? Perfeitamente! O que o protestante não consegue entender é que Nosso Senhor não citou o número de 7, mas citou os sacramentos.

Todavia, o mesmo protestante acredita na Santíssima Trindade e Nosso Senhor nunca falou o número três para designar esse mistério, apenas disse: "Pai, Filho e Espírito Santo".

O Evangelho não fala de sete sacramentos, mas vai enumerando todos os sete, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo.



O Batismo:

Sua instituição e preceito estão positivamente marcados nos seguintes textos: "Em verdade vos digo, disse Jesus a Nicodemos, quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus" (Jo 3, 5). "Ide, ensinai todas as gentes, disse Jesus a seus discípulos, batizando-as, em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19). "O que crer e for batizado, será salvo", promete o Salvador (Mc 16, 61). "Recebe o batismo e lava os teus pecados", disse Ananias a Saulo (At 22, 16). Os Apóstolos administravam o batismo a todos os que desejavam alistar-se na religião nova. Três mil pessoas receberam o batismo das mãos de S. Pedro, no dia de pentecostes (At 2, 38-41).



A Crisma

Os atos dos apóstolos provam que o seu rito exterior consiste na imposição das mãos, diferente do batismo que utiliza a água. Os apóstolos Pedro e João, enviados a Samaria, "punham as mãos sobre os que tinham sido batizados", e recebiam estes o Espírito Santo (At 8, 12-17). Do mesmo modo, S. Paulo, vindo a Éfeso, batizou, em nome de Jesus Cristo, discípulos de João e a "eles impôs as mãos, para que o Espírito Santo baixasse sobre eles" (At 19, 1-6). Para que S. Paulo imporia as mãos sobre quem já era batizado se a Crisma não fosse um sacramento que confirmasse o Batismo, completando os dons do Espírito Santo? Segundo estes textos, compreende-se claramente que Pedro e João de um lado, e Paulo de outro, deram o Espírito Santo, pela imposição das mãos. Ora, uma tal prática seria ridícula, se eles o fizessem fora da vontade e das prescrições do Mestre. A Crisma é, pois, um sacramento instituído por Nosso Senhor.



A Eucaristia

A palavra "Eucaristia" provém de duas palavras gregas "eu-cháris": "ação de graça", e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de pão e vinho.

Essa presença não foi contestada nem mesmo por Lutero. Em carta a seu amigo Argentino (De euch. dist. I, art.) falando sobre o texto evangélico "Isto é o meu corpo", ele diz: "Eu quereria que alguém fosse assaz hábil para persuadir-me de que na Eucaristia não se contém senão pão e vinho: esse me prestaria um grande serviço. Eu tenho trabalhado nessa questão a suar; porém confesso que estou encadeado, e não vejo nenhum meio de sair daí. O texto do Evangelho é claro demais".

Eis, em S. João, os termos de que Jesus Cristo se serviu, falando a primeira vez deste grande sacramento: "Eu sou o pão da vida; vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo, que desci do céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente, e o pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo" (Jo 6, 48-52).

Que clareza nessas palavras! Que quer dizer isso: "Eu sou o pão vivo - o pão que eu darei é a minha carne". É ou não é a carne de Cristo? É ou não é Cristo que será o pão que deve ser comido? Será que Deus não saberia se expressar direito se desejasse fazer uma simples alegoria?

E não é só isso! Nosso Senhor continua, cada vez mais positivo e mais claro: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. O que comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna. Porque a minha carne é verdadeiramente comida, e o meu sangue é verdadeiramente bebida. O que come a minha carne e bebe o meu sangue, fica em mim e eu nele. O que me come... viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu... O que come este pão, viverá eternamente!" (Jo 6, 54 - 59).

Eis um trecho claríssimo, que não deixa margem à dúvidas. Nosso Senhor afirma categoricamente: "... minha carne é verdadeiramente comida". É impossível negar algo tão claro: a carne de Cristo, dada aos homens para remissão dos pecados, é para ser comida; e quem comer desta carne "viverá eternamente".

Cristo afirma, repete, reafirma, e explica que o pão que ele vai dar é o "seu próprio corpo" - que seu corpo é uma "comida" - que seu sangue é uma "bebida" - que é um pão celeste que dá a vida eterna. E tudo isso é positivo, repetido mais de 50 vezes, sem deixar subsistir a mais leve hesitação.

Ao negar a presença eucarística, o protestante nega as palavras de Cristo.

Cristo diz: "Este é o meu corpo". O protestante exclama: Não, senhor, é um pedaço de pão!

Cristo ajunta: "Minha carne é verdadeiramente comida". O protestante objeta: Não, senhor, este pão não é tua carne!

Cristo completa: "O que me come... viverá por mim.". O protestante insiste: Não, senhor, não comemos a ti, é simplesmente um pedaço de pão!.

Cristo repete: "O que come a minha carne, fica em mim". O protestante discorda: Não, senhor, não é a tua carne, porque eu não o quero; é uma ceia, uma simples lembrança!... De tudo que afirmas, nada é verdade. Este pão do céu não existe... Este pão não é o teu corpo... Este vinho não é o teu sangue. Teu corpo não é comida. Teu sangue não é bebida.

A posição dos protestantes é a posição que tomaram os fariseus: "Como pode este dar-nos a sua carne a comer?" (Jo 6, 53). Retiram-se murmurando: "É duro demais, quem pode ouvir uma tal linguagem!" (Jo 6, 67).

Que fará Jesus, dissipa o equívoco e explica que é simbólico o que Ele acaba de dizer, para que não se perdessem os que se retiravam?

Não! Vira-se para seus Apóstolos e, num tom que não admite réplica, pergunta: "E vós também quereis abandonar-me?" (Jo 6, 68). É como se afirmasse: quem não desejar aceitar a verdade, que retire-se com os outros! A verdade é essa e não muda.

E S. Pedro lança este sublime brado de fé: "Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens as palavras de vida eterna. E nós cremos e conhecemos que tu és Cristo, o Filho de Deus" (Jo 6, 67-70).

É a cena da promessa da eucaristia, que ia sendo preparada por Nosso Senhor em seus Apóstolos, que acreditavam e amavam mesmo sem entender!

Aos protestantes, cabe uma pergunta muito objetiva: Seria possível Cristo ser tão solene e tão claro, utilizando palavras tão majestosas e escandalizando a tantos incrédulos, apenas para prometer-nos um "pedaço de pão", que devemos comer em sua lembrança?

Seria impossível.

Agora, examinemos a instituição da Eucaristia.

O dia escolhido é a véspera da morte do Messias. Em meio das ternuras lacerantes do adeus, neste momento onde, deixando aqueles que se amam, fala-se com mais coração e com mais firmeza, porque, estando para morrer, não se estará mais para explicar ou interpretar as próprias palavras. Neste momento, pois, num festim preparado com solenidade (Lc 22, 12), impacientemente desejado (Lc 22, 15), eis que se passa:

"Quando estavam ceando, Jesus tomou o pão, benzeu-o e partiu-o, e deu-o a seus discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo, que é dado por vós - Fazei isto em memória de mim" (Lc 22, 19).

"E tomando o cálice, deu graças, e o deu a eles, dizendo: Bebei deste todos, porque isto é o meu sangue do novo testamento, que será derramado por muitos, para a remissão do pecado" (Mt 26, 27-28)

Que magnífica simplicidade e previsão nos termos!

O original grego é mais forte ainda: "Isto é o meu corpo, meu próprio corpo, o mesmo que é dado por vós - Isto é meu sangue, meu próprio sangue da nova aliança, o sangue derramado por vós em remissão dos pecados".

E no texto siríaco, tão antigo como o grego, feito no tempo dos Apóstolos, diz-se: O que se nos dá "é o próprio corpo de Jesus, seu próprio sangue".

Não há outro sentido possível nesses textos. É a presença real afirmada, inequivocamente, pelo Messias, Redentor nosso, que derramou seu sangue na Cruz por nossos pecados.

Que precisão nas palavras e que autoridade! Quanto poder nestas palavras: "Lázaro, sai do sepulcro!" E Lázaro sai imediatamente. "Mulher, estás curada!" E ela fica curada. "Isso é meu corpo!" E esse é o corpo do Cristo.

E S. Paulo, na sua epístola aos Coríntios (11, 23 - 30): "Eu recebi do Senhor... que, na noite em que foi traído, tomou o pão. E tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Esta é a nova aliança no meu sangue, fazei isto, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo... Porque o que come e bebe indignamente, como e bebe para si mesmo sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem (o sono da morte)" (I Cor 11, 23 - 30).

S. Paulo diz, com esta lógica que lhe é peculiar: "Quem comer este pão ... indignamente, será culpado do corpo do Senhor" (1 Cor 11, 27) - e ainda no mesmo sentido: "O que come indignamente, come a sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor" (1 Cor 11, 29).

Ou seja, S. Paulo afirma que, comungando indignamente, somos culpados do corpo de Jesus Cristo. Ora, como é que alguém pode ser culpado do corpo de Cristo se este corpo não estiver no pão que come?

Comer um pedaço de trigo, sem devoção e com a alma manchada, pode ser um crime, o qual a vítima "come sua própria condenação"? É ridículo!

Aliás, o que S. Paulo afirma acaba condenando o protestantismo: É culpado do corpo do Senhor e come sua própria condenação, quem não discerne o corpo de Cristo de um vulgar pedaço de pão, e come este pão indignamente.

Eis a verdade irrefutável da Eucaristia.



Confissão

A confissão consiste em um sacramento instituído por Jesus Cristo no qual o sacerdote perdoa os pecados cometidos depois do batismo.

Sobre o sacramento da Confissão, devemos analisar o seguinte:

1) Os homens pecam

2) É necessário obter o perdão desses pecados

3) Nosso Senhor instituiu um sacramento para a remissão dos pecados

4)) A confissão deve ser feita a um Padre.

5) Diferença entre "atrição" e "contrição"

6) O que é necessário para ser eficaz uma confissão?

Vamos às respostas.

1) Os homens pecam:

Diz a Sagrada Escritura: "O justo cai sete vezes por dia" (Prov 24, 16). E se o próprio justo cai sete vezes, que será do pobre que não é justo?

"Não há homem que não peque" (Ecl 7, 21).

"Aquele que diz que não tem pecado faz Deus mentiroso" (1 Jo 1, 10).

O "Livre Arbítrio" humano permite ao homem realizar atos contrários ao seu criador.

2) É necessário obter o perdão desses pecados

"Nesta porta do Senhor, só o justo pode entrar" (Sl 117, 20).

"Não sabeis que os pecadores não possuirão o reino de Deus?" (1 Cor 6, 9).

Portanto, para entrar no Reino de Deus, é necessário obter o perdão dos pecados.

3) Nosso Senhor instituiu um sacramento.

Qual é o meio que existe para alcançar o perdão dos pecados?

Nos diz S. João: "Se confessarmos os nossos pecados, diz o Apóstolos, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar-nos de toda injustiça" (1 Jo 1, 8).

Todavia, "aquele que esconde os seus crimes não será purificado; aquele, ao contrário, que se confessar e deixar seus crimes, alcançará a misericórdia" (Prov. 38, 13). "Não vos demoreis no erro dos ímpios, mas confessai-vos antes de morrer" (Ecl 17, 26).

A confissão não é nova, já existia no Antigo Testamento, mas foi elevada à dignidade de Sacramento por Nosso Senhor, que conhecia a fraqueza humana e desejava salvar seus filhos.

No dia da ressurreição, como para significar que a confissão é uma espécie de ressurreição espiritual do pecador, "apareceu no meio dos apóstolos... e, mostrando-lhes as mãos e seu lado... lhes disse: A paz esteja convosco. Assim como meu Pai me enviou, eu vos envio a vós. ... soprando sobre eles: recebei o Espírito Santo... Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 21, 21 - 23). O mesmo texto encontra-se em S. Mateus (Mt 28, 20).

Como tudo é claro! Nosso Senhor tinha o poder de perdoar os pecados, como se desprende de S. Mateus (Mt 9, 2-7). Ele transmite esse poder aos seus Apóstolos dizendo: "assim como o Pai me enviou", isto é, com o poder de perdoar os pecados, "assim eu vos envio a vós", ou seja, dotados do mesmo poder. E para dissipar qualquer dúvida, continua: "soprando sobre eles: Recebei o Espírito Santo..." como se dissesse: Recebei um poder divino... só Deus pode perdoar pecados: pois bem... "Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 21, 21 - 23).

A conclusão é rigorosa: Cristo podia perdoar os pecados. Ele comunicou este poder aos Apóstolos e por eles aos sucessores dos Apóstolos: pois a Igreja é uma sociedade "que deve durar até o fim do mundo" (Mt 28, 20).

O livro dos Atos dos Apóstolos refere que quem se convertia "vinha fazer a confissão das suas culpas" (At 19, 18).

Aqui nós começamos a refutar uma argumentação dos protestantes: cada um se confessa diretamente com Deus.

4) A confissão deve ser feita a um padre.

Pelo próprio livro dos Atos dos Apóstolos, quando se afirma que o convertido "vinha fazer a confissão", fica claro que era necessário um deslocamento da pessoa para realizar a confissão junto aos Apóstolos, pois o verbo "vir" é usado por quem recebe a visita do penitente.

Se a confissão fosse direta com Deus, bastaria pedir perdão de seus pecados, sem precisar 'ir' até a Igreja.

Aliás, S. Tiago é explícito a esse respeito: "confessai os vossos pecados uns aos outros, diz ele, e orai uns pelos outros, a fim de que sejais salvos" (Tgo 5, 16). Isto é, confessai vossos pecados a um homem, que tenha recebido o poder de perdoá-los.

De qualquer forma, a instituição do Sacramento deixa claro o poder que Nosso Senhor conferiu à sua Igreja.

Sem a vontade de se confessar com um outro homem, o pecador demonstra que seu arrependimento não é profundo, pois ele não se envergonha mais de ofender a Deus do que de expor sua honra. No fundo, ama a si mesmo mais do que a Deus e pode estar cometer um outro pecado, ainda mais grave, contra o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas.

Mas, em não existindo um Padre, como confessar-se? E como ficam os homens no Antigo Testamento?

5) Contrição e Atrição

A Contrição consiste em pedir o perdão de seus pecados por amor de Deus. A atrição, por sua vez, consiste em pedir o perdão dos pecados por temor do inferno.

A primeira, contrição (chamada de contrição perfeita), apaga os pecados da pessoa antes mesmo da confissão. Todavia, só é verdadeira se há a disposição de se confessar com um padre. Foi desta forma que se salvaram os justos do Antigo Testamento.

A atrição só é válida através do sacramento da confissão, o qual é eficaz mesmo se há apenas "medo do inferno".

Ninguém duvida de que o sincero arrependimento dos pecados, com firme propósito de não pecar mais, e satisfação feita a Deus e aos prejudicados, eram, no Antigo Testamento, condições necessárias e suficientes para obter o perdão de Deus. O mesmo vale ainda hoje para todos os que desconhecem Nosso Senhor Jesus Cristo e seu Evangelho (desde que sigam a Lei Natural) e para os que não têm como se confessar (desde que tenham um ato de contrição perfeita). Mas quem, em seu orgulho, não acredita nas palavras de Cristo Ressuscitado, com as quais ele instituiu o sacramento da penitência, e por isso não quer se confessar, não receberá o perdão, pois não ama à Deus verdadeiramente.

Cada pecado é um ato de orgulho e desobediência contra Deus. Por isso "Cristo se humilhou e tornou-se obediente até a morte, e morte na Cruz" (Flp 2, 8) para expiar o orgulho e a desobediência dos nossos pecados, e nos merecer o perdão. Por isso ele exige de nós este ato de humildade e de obediência, na Confissão sacramental, na qual confessamos os nossos pecados diante do seu representante, legitimamente ordenado. E, conforme a sua promessa: "Quem se humilha, será exaltado, e quem se exalta, será humilhado" (Lc 18, 14).

Alguns protestantes aliciam os católicos para sua seita com a promessa de que, depois do batismo (pela imersão), estariam livres de qualquer pecado e nem poderiam mais pecar! Conseqüentemente, concluem que não haveria necessidade de confissão. Apóiam esta afirmação nas palavras bíblicas de (1 Jo 3, 6 e 9). Todavia, basta confrontar essa passagem com outra, do próprio João Apóstolos (1 Jo 1, 8-10), para perceber que a conclusão é precipitada: "Se dissermos que não temos pecado algum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, e nos perdoa os nossos pecados, e nos purifica de toda a iniqüidade. Se dissermos que não temos pecado, taxamo-Lo de mentiroso, e a sua palavra não está em nós".

Portanto, todos os homens necessitam de misericórdia divina; e os sinceros seguidores da Bíblia recebem-na, agradecidos, no sacramento da Confissão.

6) O que é necessário para ser eficaz uma confissão?

a) exame de consciência

b) ter arrependimento (atrição ou contrição)

c) propósito de não recair no pecado e de evitar as circunstâncias que o favoreçam

d) confessar-se sem omitir nada

e) cumprir a penitência estabelecida pelo confessor

Ver ainda "penas temporais" e "indulgências"



A Extrema-Unção

É o quinto sacramento instituído por Jesus Cristo, sem que saibamos em que época o instituiu. A Sagrada Escritura, como para a Crisma, nos transmite apenas o rito exterior e o efeito produzido. O Evangelho diz que "à ordem do Senhor... os apóstolos expeliam muitos demônios e ungiam com óleo a muitos enfermos, e os curavam" (Mc 6, 13). Eis um fato, é a ordem do Senhor.

A instituição da extrema-unção decorre destas palavras de S. Tiago: "Está entre vós alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E o Senhor o aliviará, e se estiver em algum pecado ser-lhe-á perdoado" (Tgo 5, 14-15).

Nunca o Apóstolo teria prometido tais efeitos a uma unção, na enfermidade, sem firmar-se na autoridade divina da instituição deste sacramento. A extrema-unção é, pois, verdadeiramente um sacramento.



A Ordem

A Ordem é o sacramento que dá o poder de desempenhar as funções eclesiásticas, e a graça de fazê-lo santamente. Em outros termos, é o sacramento que faz os sacerdotes, ou ministros de Deus. Muitos textos da Sagrada Escritura provam a existência do sacerdócio e indicam o rito de ordenação sacerdotal. Lemos de fato que Nosso Senhor fez uma seleção entre os discípulos: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi", diz Ele (Jo 15, 16). Aos discípulos eleitos, chamados apóstolos, o divino Mestre confia as quatro atribuições particulares do sacerdócio:

a) Oferecer o santo sacrifício: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22, 19). É a ordem de reproduzir o que ele tinha feito: mudar o pão em seu corpo e o vinho em seu sangue divino

b) Perdoar os pecados: Os pecados serão perdoados aos que vós os perdoardes (Jo 20, 23).

c) Pregar o Evangelho: Ide no mundo inteiro, pregando o Evangelho a todas as criaturas (Mc 16, 15).

d) Governar a Igreja: O Espírito Santo constituiu os bispos para governarem a Igreja de Deus (At 20, 28).

Eis os poderes dados por Nosso Senhor Jesus Cristo a seus ministros ou sacerdotes, representados pelos primeiros sacerdotes, que foram os apóstolos (vide Sucessão Apostólica).

Quanto ao rito de ordenação, não é menos claramente indicado: Consiste ela na imposição das mãos. S. Paulo escreve: "Não desprezes a graça que há em ti e te foi dada por profecia pela imposição das mãos do presbitério" (1 Tim 4, 14). Chama-se presbitério a reunião dos bispos e padres que concorreram para a ordenação de Timóteo, de que S. Paulo foi o principal ministro, como se vê claramente na segunda epístola dirigida ao mesmo discípulo. "Por este motivo, diz ele, te admoesto que reanimes a graça de Deus, que recebestes pela imposição de minhas mãos" (2 Tim 1, 6).

O exemplo dos apóstolos nos mostra a transmissão dos poderes sacerdotais pela ordenação. E por onde Paulo e Barnabé passavam, "ordenavam sacerdotes para cada Igreja" (At 14, 22).

Tudo isso prova, claramente, que os apóstolos tinham recebido de Nosso Senhor a divina investidura de poderes, que iam assim distribuindo pela imposição das mãos; e esta investidura é o sacramento da Ordem.

Que diferença para o pastor protestante... Ele mesmo se investe de um poder que não recebeu de ninguém, ele mesmo se escolhe, nomeia-se, e dá a si os poderes que julga ter, sem que tenha sido investido do sacramento instituído por Deus para a escolha de seus ministros, sob a autoridade de um Papa. (vide a página sobre o Papado).



O Matrimônio

É o último na série dos sacramentos. O casamento que era antes de Jesus Cristo mero contrato, é um verdadeiro sacramento da nova lei. Não sabemos exatamente o tempo nem o lugar em que Jesus Cristo instituiu este sacramento; pensam os teólogos que foi nas bodas de Caná. Outros pensam que foi na ocasião em que o Salvador restaurou a unidade e a indissolubilidade primitivas. Interrogado a respeito do divórcio, Cristo responde que não era lícito por nenhum motivo, que nem o direito de separar-se tem o homem e a mulher, exceto o caso de adultério (Mt 19, 3-5).

Outros, ainda, pensam que foi instituído depois da ressurreição, e promulgado por S. Paulo, na epístola aos efésios (5, 25-33).

Pouco importa o tempo e o lugar, o certo é que o matrimônio foi por Nosso Senhor elevado à dignidade de sacramento, como resulta positiva e irrefutavelmente da Sagrada Escritura: "Não separe o homem o que Deus ajuntou" (Mt 19, 6). Ou seja, Deus uniu os noivos!

Este mistério, ou sacramento, é grande em relação a Cristo e à Igreja, diz S. Paulo (Ef 5, 32). Isso é grande, em relação a Cristo, porque é instituição divina; grande em relação à Igreja, que deve mantê-lo na sua unidade e indissolubilidade.

O rito externo foi indicado por S. Paulo: é a mútua tradição e aceitação do direito sobre os corpos, em ordem aos fins do casamento, formando uma união santa, como é "santa a união do Cristo com a sua Igreja" (Ef 5, 25).

É mais uma bomba que pegam os nossos amigos protestantes. Eles que, rejeitando o sacramento, para contentar-se unicamente com o contrato civil, preferem a obra humana à instituição divina: "Não separe o homem o que Deus ajuntou" (Mt 19, 6).



O Batismo de Crianças e o Batismo de Adultos

Muitos protestantes costuma argumentar que o Batismo de Crianças não aparece na Bíblia. Como conclusão, defendem que só os adultos podem ser batizados.

Primeiramente, nem tudo está na Bíblia, como afirma S. João: "Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever" (Jo 21,25).

Ou seja, o fato de não estar na Bíblia não prova que não se deva batizar crianças.

A pergunta deveria ser inversa: Onde estão as provas bíblicas para a afirmação de que apenas os adultos devem ser batizados?

Agora, vamos provar que Deus deseja o batismo das crianças.

A Sagrada Escritura menciona vários personagens pagãos que professaram a fé cristã e se fizeram batizar "com toda a sua casa". Assim o centurião romano Cornélio (At 10, 1s.24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (At 16, 14s), o carcereiro de Filipos (At 16, 31033), Crispo de Corinto (At 18, 8), a família de Estéfanas (1Cor 1, 16).

A expressão "casa" ("domus", em latim; "oikos", em grego) tinha sentido amplo e enfático na Antigüidade: designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças (que geralmente não faltavam).

Desde o início da Igreja, os apóstolos batizavam os recém-nascidos. Assim se expressa Orígenes (185 - 255): "A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5, 9). E S. Cipriano, em 258, escreve: "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças". (Carta a Fido).

Santo Irineu, que viveu entre 140 a 204, afirma: "Jesus veio salvar a todos os que através dele nasceram de novo de Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos". (Adv. Haer. livro 2)

Na "Nova e Eterna Aliança", o batismo substitui a circuncisão da "Antiga Aliança", como rito de entrada para o povo escolhido de Deus. Ora, se o próprio Deus ordenou a Abraão circuncidar os meninos já no 8o dia depois do nascimento, sem exigir deles uma fé adulta e livre escolha, então não seria lógico recusar o batismo às crianças dos pais cristãos, por causa de tais exigências.

O manual dos Apóstolos, também conhecido como 'didaqué', prescreve o batismo para crianças.

Ou seja, era costume dos apóstolos batizarem as crianças, segundo a importância que é o sacramento do "Batismo", pois "quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus".

A posição protestante é insustentável, visto que se eles tivessem que seguir tudo o que a Bíblia ordena, como ficariam certas normas do Antigo Testamento que não foram abolidas no Novo, mas pela Igreja que eles rejeitam? Exemplos: Não acender fogo (para cozinhar) em nenhuma moradia no sábado (Ex. 35,3). Não semear diferentes espécies no mesmo campo (Lev. 19,19). Não semear e colher nada, nos campos e na vinha, no ano sabático (Ex. 23, 10-11) e (Lev. 25 3-5). Não comer os frutos das árvores nos primeiros três anos (Lev 19, 23-25).

E, depois, se os pais são responsáveis perante Deus pelo sustento, proteção, educação, amparo etc de seus filhos, quanto mais seriam pelo bem espiritual.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Sacramento do Matrimônio




I. 0 Sacramento do Matrimonio

Caminho a Ser Redescoberto

Síntese teológica
“[1]O consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus. A Aliança dos cônjuges é integrada na aliança de Deus com os homens e as mulheres. O autentico amor conjugal é assumido no amor divino” Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja.
“[2]Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher batizados, livres para contrair o matrimonio e que expressam livremente seu consentimento”.
“[3]O casamento sacramento é um ato litúrgico. Por isso convém que seja celebrado na liturgia pública da Igreja”.
O sacramento é, em si, uma graça, muito especial de Deus. Além de consagrar o amor conjugal, a vida dos esposos e a família que constroem, o Sacramento aperfeiçoa o amor dos cônjuges e fortalece a sua unidade indissolúvel. Por esta graça os cônjuges se ajudam na santificação mútua e na missão de bem educar os filhos (cf. Cat. Igr. Cat. 1638-1641). Quanto ao vinculo, trata-se de união indissolúvel, isto é, irrevogável. E quanto às responsabilidades, os cônjuges assumem a missão de tudo fazerem para o crescimento e solidificação do amor fiel entre eles, para a felicidade dos filhos e para o testemunho de fé na comunidade.
1. A vida matrimonial não é um refugio

Em se tratando deste tema, poderíamos dizer que muitos consideram a vida conjugal como um lugar apto para resolver os próprios problemas e onde aquelas expectativas ou aspirações pessoais não realizadas possam ser compensadas. Assim a vida matrimonial se tomaria um "refugio", quase um "remédio" para os problemas individuais, ou uma "compensação" às próprias dificuldades ou frustrações.

Neste ponto, duas questões se põem para nos: 1ª.) Não deveria haver um verdadeiro amadurecimento por parte das pessoas antes de optarem pela vida matrimonial? 2ª.) E caso já tenham feito a opção, depois de amadurecidas, descobrissem que suas exigências pessoais divergem das que provocaram a opção inicial?

Numa das perguntas de que consta o rito do matrimonio, se lê: "Viestes aqui para contrair matrimonio, é de livre e espontânea vontade que o fazeis?", ou seja, com plena liberdade, sem coação, plenamente conscientes do significado da vossa decisão?
A expressão "sem nenhuma coação", logo nos faz pensar em coações externas (dar alguns exemplos); normalmente não consideramos se não há coações mais profundas, as interiores, fruto das carências (dar exemplos).

É humano e natural que, todos precisamos de afeto, de carinho, mas se alguém se casa sobre tudo por tais necessidades, o que vira a ser a sua vida, se tais coisas vierem a faltar? Será que um matrimonio resultante duma carência é uma união livre?

=> Algumas Considerações:

1ª) Importa que o individuo (homem e mulher), antes de casar, se encontre como pessoa;
- Aqui se salienta que, a pessoa deve ser senhora de si mesma, ser ela mesma, ter consciência própria, isto é, ser uma pessoa capaz de viver por si mesma, de tal sorte que contrair matrimonio não seja uma "necessidade", uma "compensação", mas se torne o lugar onde se caminha juntos, compartilhando a historia que cada um trouxe (dar exemplo) e juntos se elabora um projeto.

2ª) Não amor - refugio, mas amor aberto para o futuro.
- Conviria repensar o significado amor. Quando muito, ele... somente é considerado sob o aspecto sentimental ( o enamorar-se) ou do aspecto carnal (prazer genital) e não sob o aspecto do "amor- doação", do partilhar tudo (sentimentos, prazer carnal, do material, do espiritual, do econômico), . Enfim crescer juntos em todos os aspectos.
Sem nenhuma pretensão, uma idéia de verdadeiro amor e de matrimonio seria: "Eu não posso prometer que te amarei para sempre, mas posso prometer-te que me conservarei sempre vivo para chamar-te, para precisar de ti, para dialogar, para acolher-te", na verdade isto é, amor - doação. Não e amor - refugio, mas amor criativo, aberto a um projeto que, logo de saída, não se pode conhecer totalmente.

3ª) Os esposos podem tornar-se refugio em situações especiais.
a) Quando para vencer os próprios problemas busca no outro amparo e encorajamento; .
b) Quando um tem a sensibilidade para enxergar que naquele momento ou naquela situação o outro precisa caminhar sozinho;
c) Em momentos em que o outro é pela condição, pelo projeto que tem em comum, se torna ponto de segurança e auxilio. .

4ª) Para que o matrimonio não se tome "refugio", importa que os cônjuges hajam descoberto que a sua opção não se faz em favor de si mesmos, mas a fim de que, juntos, realizem um projeto e façam uma experiência de comunhão (plena, transparente, sem nenhuma restrição), cujo resultado será uma realização própria.

Não se pretende dizer com isto que, na vida matrimonial, as pessoas não sejam estimuladas a crescer; muito pelo contrário, elas crescem precisamente quando sabem viver uma experiência autentica de comunhão.

5ª) A experiência da vida a dois poderá desenvolver e amadurecer as pessoas, principalmente no compartilhar da liberdade.
- Só quem prova e saboreia a própria liberdade saberá respeitar e aceitar a liberdade alheia.
Moises, fugindo do Egito e vivendo a liberdade ao Pé do Sinai, provou o seu calor e quis comunica-la a todo o seu povo, e por isso voltou para o Egito, a fim de empreender e orientar a grande caminhada do seu povo rumo a libertação.
Quem viveu e vive no "egoísmo" (o centro de tudo e ele) não vivera livremente e não saberá aceitar a liberdade alheia.

6ª) A Bíblia e, em particular, o Evangelho movem-se em dois pares de trilhos: a pessoa e a comunidade. Eles jamais são postos em antítese, antes postulam-se mutuamente.
- A pessoa terá condições de manifestar-se e crescer caso estabeleça relações com outros e, de modo especial no caso do matrimonio, com a comunidade.
Dai lembrarmos como e frutuoso que a Igreja organize em sua pratica pastoral os chamados movimentos de casais ou pastoral familiar.
O casal também se forma na convivência com outros casais.

O casal deverá também, a exemplo da comunidade re­ceber dos dons e carismas de outros casais.

2. A mulher na vida conjugal e na sociedade

=> Sobre este tema, partamos da seguinte premissa: “0 casamento como sociedade de duas pessoas com iguais direitos e deveres, é um objetivo ainda a ser alcançado, uma experiência que poucos casais Já conseguiram ou conseguem realizar”.

O que nos leva a fazer tal afirmação:

a) Do ponto de vista econômico:
1° Algumas mulheres lamentam que não fazem a mínima idéia de quanto ganha o marido;
2°. - Outras alem de não saberem quanta o marido ganha, não gozam de disponibilidade sobre a misteriosa renda;
3°._ Outras não são co-proprietárias de bem algum material;

b) De referencia domestica:
1° Boa parte dos maridos deixa por conta da esposa todo o "fardo" da direção da casa, mesmo quando ambos trabalham;
2° Muitas estão persuadidas de que sua faina caseira e algo óbvio e devido;
3° Algumas se queixam de não poderem mudar tal situação diante da prepotência do marido;

Sem duvida, a tradição tem - a este respeito muita culpa a confessar.
A seguir vamos levantar alguns pontos que nos ajudarão a refletir melhor sobre esta temática.

1. O relacionamento homem-mulher

Este nunca foi um relacionamento fácil, mas, desde sempre, uma esperança ou expectativa, um sonho sempre perseguido e sempre desvanecido. Em nossos dias, ele estalou, em certos casos estilhaçou-se definitivamente, dai temos:
a) separações que acabam por findar em divórcios;
b) esta explosão se deve ao despertar da mulher que, primeiro isoladamente e depois em grupos, conscientizou-se de sua dependência do homem;
c) muitas vezes a mulher se tomava um desfrute para o homem: prazer sexual de graça, oficial e ate porque não dizer sacralizado (através do matrimonio), roupa lavada e comida na mesa; (exemplo da pratica pastora).

Mas também temos aquelas que preferem deixar a situação como esta:
d) aquelas que pelo medo ou pela idéia "dos males o menor", ou ainda, a sorte dos filhos;
e) a pressão eclesial sobre a indissolubilidade do matrimonio; (exemplo da pratica pastora).
f) ruim com ele, pior sem ele;

Relegada em casa, responsável pelo lar e pelos filhos,não lhe restava tempo nem disposição para viver a própria presença na vida social ou eclesial. E os filhos, crescendo, deparavam nela urna mulher capaz de amar, porem nem sempre de compreender os seus problemas, devido em parte aos novos ares e a mentalidade respirada por eles fora de casa.

E, magoada por isso, ela testemunhava o mal-estar da incomunicabilidade.
Ademais a mãe, apegando-se aos filhos com exclusivismo, pelo simples motivo de estar o pai normalmente "ausente" de casa ou descarregar nela o cuidado da mesma, vivia o relacionamento com eles sob a forma de compensação inconsciente, criando assim problemas educativos.
E hoje? Sem duvida a grande maioria das mulheres não se conforma com essa situação de dependência e exige igualdade de responsabilidade com o marido e a possibilidade de antes de ser mãe, ser pessoa.
Começamos a ter o que chamamos de "redefinição dos papeis", esta produz, por si mesma, incertezas, inseguranças e rachaduras na vida de alguns. Outrora, quem resolvia, ao menos oficialmente, era o homem; ele era o cabeça da família e da mulher, e isso gerava uma hierarquia, uma ordem (dar um exemplo familiar). Agora, com a mulher a reivindicar paridade de peso nas opções e decisões, a unidade do casal parece fragmentar-se.
Na verdade, tínhamos uma falsa unidade, pois, unidade numa situação em que um decide e outro simplesmente aceita, não nos parece exatamente unidade.
Ao contrario, a unidade deve ser aquela situação de quem vive a escolha junto com o outro, de par, apesar da diversidade de idéias, opiniões e sensibilidade.

2. O problema dos respectivos papeis

Não resta duvida que os grupos de mulheres estigmatizados como feministas, com sua reivindicações nos ajudam pelo menos a refletir os problemas reais e sempre mantidos em silencio. Nós todos fomos educados para distinguir entre os papeis do homem e da mulher; o homem que trabalho e ganha o sustento da casa e a mulher que fica em casa "sem fazer nada".
Este "sem fazer nada", pode ser contemplado dentro do seguinte elenco:
1. limpar e zelar pela casa;
2. cozinhar;
3. lavar e passar;
4. educar os filhos;
5. preocupação com mil coisas que ninguém imagina ou observa e que, não obstante, são onerosas e indispensáveis.
Todo casal deve libertar-se das discriminações internas.
Não estamos dizendo que os esposos tenham o mesmo comportamento: o Importante e que se sintam iguais em dignidade, na capacidade de dialogar, de dividir tarefas, enfim, de participar.
A este respeito, convêm por em discussão o "machismo" .


3. Casar Na Igreja. Por quê?

Eis uma pergunta que se vai tomando cada vez mais freqüente e interpeladora. Ate poucos anos, ela só brotava na mente de raríssimas pessoas. Casar na Igreja (que o povão dizia: "casa no padre") era parte imprescindível, ate porque não uma condição para os que queriam se casar. E ate, porque não dizer, na maioria dos casos tratava-se de uma integração global entre a vida de fé e o ambiente social, entre a paróquia e o chão natal. Podemos ate traçar um itinerário que de maneira tranqüila fazia parte da vida da família:
1. Nascimento = era importante batizar;
2. Desenvolvimento = freqüentar a catequese – 1ªComunhão;
3. A caminho da maturidade = ser crismado;
4. E, por fim, casar na Igreja = Matrimonio;
5. Sem falar naqueles que no final deste itinerário optavam pelo sacerdócio = Ordem.
Havia uma forte identificação entre nascimento e casamento religioso. "Nascia-se cristão" e ninguém virava cristão com o correr dos anos, era uma situação que vinha do berço. ­
Posta a questão, vamos levantar algumas interrogações:

1. Seria o casamento religioso a (mica maneira de se casar?

2. Deve o casamento, para ser tal ou ser autentico, contrair-se necessariamente na Igreja?

3. O casal que venha se recusar casar na Igreja deveria por isso ter-se por não casados?

4. Sendo o amor o constitutivo do matrimonio, pergunta-se, não poderia ele existir também fora da celebração religiosa do casamento?

A maioria das pessoas, pelo menos no ambiente da nossa sociedade, ainda opta por casar na Igreja, muito embora o percentual dos que casam só civilmente ou vivem ajuntados vem se elevando e esta em franca ascensão. Mas, se perguntarmos a quem casa no religioso o motivo ou motivos de assim o fazerem, obteríamos motivações variadas e por vezes contraditórias, aqui vão algumas delas:

- Muitos o fazem em virtude de vínculos "naturais" ou seja, na família sempre foi assim, e chegam a pasmar quando ficam sabendo da necessidade de uma preparação para os noivos.

- Há os que o fazem para evitar criticas ou atritos com a parentela e amigos, de forma a não ter que ouvir coisas do tipo: "onde já se viu não casar na Igreja " .

- Algumas mulheres são movidas pelo bom e velho sonho de entrar na igreja conduzida pelo pai e vestida de branco.

- Alguns casais o fazem 'em função da "teatralidade" que vêem neste evento, e o que e pior ainda muitas vezes com a conivência de muitos sacerdotes, os quais não tem um pingo de preocupação para limitarem aos excessos. E, em alguns casos e uma boa fonte de renda ($). Alguns se justificam dizendo:
"Já que eles querem, então terão que pagar".

- Outros são motivados por sentimentos "religiosos" porem ainda não de fé.
Casam no religioso, porque entendem que é bom receber a benção de Deus, do padre para a sua união.

Sabemos que um cristão, um católico que vive verdadeiramente a sua fé na comunidade ec1esial, faz deste momento, uma verdadeira ocasião e comunhão com Deus e com a comunidade.


A seguir vamos ponderar alguns pontos na tentativa de responder as questões que fizemos anteriormente.

a) Casar na Igreja não é o único modo de se casar

1. A opção de casar na Igreja não se contrapõe ao casamento civil, nem sequer ao "amasiar-se". Isto significa que não há como negar que também no casamento civil e no amasio podem estar presentes valores tais como amor, fidelidade, compromisso de abertura a vida e as eventuais dificuldades da vida a dois.

2. Faz-se necessário reconhecer que também no ambiente familiar "meramente" civil e/ou social podem se encontrar e viver valores altamente humanos. Pois no ambiente familiar religioso, ou seja, para o casal que se abriu para a presença eficaz de Deus através do sacramento do matrimonio, sobretudo os valores evangélicos deverão se fazer presentes.

3. Casar na Igreja não indica necessariamente o privilegio de comprometer-se com o amor, a fidelidade, a indissolubilidade, valores estes que podem, também ser praticados por casais que se uniram apenas civilmente.

4. Casar na Igreja é uma opção de fé e, por isso, só pode ser praticado por pessoas adultas e maduras, já que o Batismo em nossa Igreja normalmente e "conferido" quando ainda não se tem consciência; o mesmo ocorrendo com a Eucaristia e a Crisma são celebrados numa idade ainda condicionada pelo ambiente e os pais.

b) Qual o significado de casar-se na Igreja?

1. É reconhecer que o próprio amor nasce de Deus, e só permitindo que Deus habite entre os cônjuges, que o casal se dará uma oportunidade ainda maior do seu amor ser duradouro e crescer. (cf 1 Jo 4, 16).


2. E optar por viver o próprio casamento/matrimonio na presença de Deus, ou melhor, em constante confronto e escuta da sua Palavra e na vivencia eclesial. Neste sentido podemos afirmar que casar-se no Senhor e casar com o Senhor!

3. É conscientizar-se de que o amor do homem e da mulher e presença de Deus; ou seja, no amor do homem e da mulher, Deus inicia e perfaz a sua aliança com a humanidade e, assim, tem inicio a Igreja.

4. E reconhecer que o amor é um dom; e todo o dom que Deus outorga é dado por Ele para proveito de todos.

5. Por ultimo eu diria que, para que o casal possa vivenciar tudo o que falamos acima, e preciso aquela famosa "atitude de fé", mas, uma fé adulta e madura.

Como seres humanos (homens e mulheres), os esposos devem num primeiro momento viver o amor humana e plenamente, mas como cristãos devem vivê-lo oferecendo-o a Deus, porque Deus entende realizar por meio deste amor, grandes coisas em prol da sua Igreja e da humanidade. Os cônjuges não podem e não devem privatiza-lo: seria o mesmo que privatizar o sacerdócio! Não é por acaso que os sacramentos do Matrimonio e da Ordem são chamados de sacramentos de serviço.

Dando prosseguimento aos tópicos do conteúdo programático

4. O matrimonio como aliança de Deus com os homens

Para Inicio de Conversa

- Amar e natural, e humano, como natural e humano é casar-se.

- O casamento já existia antes de Cristo, como também fora do ambiente da Sagrada Escritura.

- A esta altura,talvez devamos nos perguntar:

1°. Quando que a aliança entre o homem e a mulher passou ser sinal da aliança de Deus com os homens?

2°. Nos dia de hoje, a partir da expressão matrimonia-sacramento, é possível convencer aos casais da indissolubilidade do vinculo matrimonial?

3°. Sem duvida amar-se para sempre e com fidelidade faz parte do modo de viver e o casamento celebrado diante do altar, do sacerdote e da comunidade eclesial, mas seria possível reduzir o casamento ao compromisso moral de indissolubilidade?

4°. Seria possível relegar ao sacramento a categoria de mera lei e não de dom, ou melhor, dum encontro com a graça que vivifica e infunde esperança?

É preciso reconhecer que, nos últimos séculos, a Igreja atendeu mais a moral conjugal (ditando normas e regras de convivência para o casal), preocupando-se menos com anunciar a "boa nova" de Deus a respeito, como situação na qual Deus habita e onde o seu Reino encontra o limiar da semeadura.
A novidade evangélica trazida pelo mestre Jesus devera também ser traduzida na vivencia da vida a dois (principio da igreja domestica / família); assim temos na vida matrimonial, como descoberta dum altíssimo valor, a semelhança do "mercador que, tendo encontrado uma perola valiosíssima, vai e vende tudo o que tem ".

Então, a moral deixa de ser uma privação, um sacrifício, um dever, para tomar -se a maneira de exprimir e por em circulação uma "riqueza" que foi descoberta. O casal cristão (os esposos), como veremos mais adiante, passa a ser sacramento (símbolo - sinal) quando proclamam: "Vinde e vede as maravilhas que Deus opera no intimo do nosso amor.

Urge redescobrir a linha evangélica do matrimonio, de preferência a ético - moral.
"Se teimarmos em falar de leis, o homem sentir-se a cada vez mais acabrunhado e incapaz de observa-las" (Card. Daneels).

a) Com a palavra: a Bíblia

A vontade de Deus e entrar em comunhão com os seres humanos
(homens e mulheres), os quais também deverão estar abertos ao gesto do Deus que vem ao nosso encontro. Ao fazer isto, Ele quer comunicar-lhes a própria vida. Seu desejo e fazer dos seres humanos "filhos e filhas", que o sejam de verdade. A criação e sem duvida o grande gesto com que Deus começa a comunicar-se. Todas as criaturas, o sol, a lua, as estrelas, as plantas, os animais, são "sacramentos" de Deus, i. é., sinais, vestígios nos quais se pode vislumbrar, embora parcialmente, alguma coisa de Deus!


b) Entre as criaturas sobressaem, no livro do Gênesis, homem e a mulher, chamados a serem, juntos, "imagem e semelhança de Deus".E aqui que se descobre a relação, o vinculo que se toma "sinal', "sacramento" de Deus, ou seja, o amor que leva o homem a "abandonar seu pai e sua mãe para unir-se a sua mulher e se tornarem uma só carne" e imagem e expressão da vida intima de Deus, que e amor, relação.

c) Uma vez que o casal é imagem e semelhança, é sinal que Deus habita neles e, habitando, se manifesta e revela. O homem e a mulher, amando-se vivem da vida mesma de Deus, porque Deus habita com eles e firma comunhão com e entre eles.

d) A palavra dos profetas: Eles anunciam que Deus quer contrair uma aliança com os homens.

"Aliança" é um termo próprio do nosso tempo, que abrange vários significados. Indica:

Perene amizade entre duas pessoas ou povos; Solidariedade em defender-se ou ajudar-se; Participação e comunhão na vida e meios de crescimento recíproco.

Os profetas, ao fazerem uso do termo "aliança", acentuam que Deus ama o povo, quer morar com ele e faz no intuito de suscitar seu crescimento, tomando-o mais povo, cujas pessoas, acolhendo-se e amando-se em liberdade e na justiça, formem uma comunidade, "uma só carne" (como no matrimonio).
Para anunciar e descrever a aliança que Deus tenciona contrair com seu povo, os profetas não encontram nada melhor do que falar do amor do homem e da mulher. Por isso, aliança e descrita em termos núpciais.

d) No Novo Testamento, tomemos como referencia o apostolo...

­I. Família...Mas Que Família?

Para Inicio de Conversa...

Muito se fala em nossos dias sobre a família, vejamos algumas dessas falas de efeito:

- Família é boa somente para se fotografada.
- A família do passado. Esta sim que era boa.

- É preciso "recuperar" a família de ontem.

- É preciso que a família seja intimista, toda particular.

- Em breve a família vai acabar.

- Mas, a família é ainda uma das instituições dignas de credito.

- Família, família, família... Sempre de novo a família!

A final de contas, que família queremos? Qual o perfil "ideal" do casal em nossos dias, com relação aos pares de ontem? Que mistério esconde a mesma da família e casa onde corações se amam e divergem, lutam, choram e se alegram? o que significa "transmitir a fé" em família, em nossos tempos? E ainda a família a "Igreja" domestica? Ainda há sentido em nossos dias a fidelidade no casamento? E por que tantos casais se separam em tão curto prazo de união?

É possível falar e viver uma espiritualidade conjugal? E as meninas que chamamos de mães solteiras?
Não há duvida, vivemos um tempo decisivo para a Igreja e para a família. Fala-se da necessidade de uma nova evangelização, no entanto, é preciso que a apresentação da Boa Nova do casamento (matrimonio) e da família seja feita de tal forma que as pessoas tocadas por ela. Fundamental será que antes e depois da celebração do casamento todos sejam levados a refletir, a pensar. Quem sabe, o que chamamos de Pastoral Familiar inclua no seu campo de ação, a possibilidade real das pessoas discernirem, refletirem e a repensarem sempre o projeto inicial do casamento e da família. É certo que a vida conjugal e familiar não poder ser construída sobre os seguintes ingredientes: "qualquer de repente", improviso, imaturidade e irresponsabilidade.
Faz-se necessário construir uma família nova para novos tempos. Tudo bem, estamos de acordo que é preciso trabalhar pela família. Mas que família?

II. Temas Relevantes Sobre o Assunto

1. O Casal Em Nossos Dias

1°. A família é um fato social muito antigo. Alias diga­-se de passagem, a família é a primeira experiência de vida social que nós seres humanos experimentamos.

2°. Homem e mulher sempre buscaram um ao outro e construíram uma célula (família célula mater da sociedade) para procriação e educação dos filhos.

3°. O modele familiar de nossas sociedades ocidentais foi fortemente influenciado pelo cristianismo e é caracterizado pelo casal formado por um homem e uma mulher que se unem livremente (preferencialmente pelos laços do matrimonio) por toda a vida.

=> Em nosso tempo, temos uma situação nova: "casais homossexuais (masculinos e femininos) que em muitos paises já tem sua união civil reconhecida, mas também querem adotar crianças, 'constituir uma família"'.

Esta união e reconhecida pela sociedade por meio de um dispositivo oficial (legal), o casamento, que tem entre outras finalidades,' a geração e educação de filhos. E, para, aqueles que são batizados, tem também esta união reconhecida e selada pela autoridade eclesiástica através da celebração religiosa do casamento a que chamamos de sacramento do matrimonio.
O que dizer sobre este modelo em nossos dias?.


a) Não há duvida que o mesmo sofre constantes bombardeamento;

b) Porem, não se pode dizer que tenha sido efetivamente abandonado. E grande ainda, o numero de casais que se apóiam nele para viver sua vida conjugal e familiar;

c) Fatos novos a serem verificados: diminui acentuadamente o numero de casamentos civis e de celebrações do matrimonio; aumentou o numero de separações e de divórcios; diminui a taxa de natalidade; muitas crianças são concebidas e geradas fora do casamento (as chamadas "produção independente'); por fim e grande o numero das assim chamadas "uniões consensuais".

d) Há muitas famílias refeitas. Homens ou mulheres que se separam constituem uma segunda e mesmo uma terceira união. Tudo isto nos leva a constatar uma sempre maior fragilidade do modelo conjugal e familiar tradicional. Duas perguntas "cruéis":

1. Estaria este modelo irremediavelmente superado?
2. Uma união por toda a vida empobreceria, de fato, as pessoas que a selassem?


2. Família: Espaço Privilegiado de Realização Pessoal

O Documento de Santo Domingo, resultado da reunião dos bispos da América Latina e do Caribe realizada em 1992, assim se exprime a respeito da missão da família: "A missão da família e viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas que se caracteriza pela unidade e indissolubilidade. A família e o lugar privilegiado para a realização pessoal junto com os seres amados' (no. 214).

- Vamos levantar alguns pontos para a nossa reflexão a partir deste texto de Santo Domingo

1. Realmente a família precisa ser lugar de realização pessoal e tornar-se comunidade de pessoas. Pessoas não são coisas e nem animais. A pessoa é marcada por sua inteligência, pela necessidade de manifestar e dar afeto, por sua vontade, por suas riquezas e limitações próprias e pelas características de sua individualidade.

2°. Quando um homem escolhe uma companheira (mulher) e uma mulher escolhe um companheiro (homem) e os dois fundam uma família na qual serão acolhidos os "filhos que Deus vos confiar', como diz o ritual do matrimonio, nasce uma comunidade de pessoas.

A seguir vamos refletir um pouco sobre a família crista.

- Família Crista

Parece-me que a primeira e grande interrogação quando tratamos do presente tema é: No mundo de hoje, como descrever a família e vive-la como tal, ou seja, como Família Crista?

1. Na celebração religiosa do casamento (no
matrimonio), os nubentes falam de sua disposição em receber os filhos que Deus lhes confiar, educando-os na lei de Cristo e da Igreja. Começa a se dar o projeto gestante da família crista.

2°. Refletir sobre a família crista significa por em relevo sua natureza, identidade e missão específicas na Igreja e no mundo.

3°. É a Revelação, i.é., o desígnio salvador de Deus, sua condescendência amorosa com a humanidade, a comunhão de vida e de amor que Deus quis estabelecer e estabeleceu de fato com os seres humanos em seu Filho Jesus Cristo => gerado no ventre materno, nascido de uma mulher, criado e educado no seio de uma família.

4°. Ao falar de família crista, também somos levados a perguntar: que quer Deus, que espera da família?; Como a família entra no piano da salvação de Deus?; Como Deus vê e deseja a família; Qual e seu desígnio sobre ela?; Que luz traz suas palavras e suas obras a família? Como família vivencia o seu aspecto de comunidade? Porque a família aparece na revelação bíblica como realidade profundamente inserida na historia da salvação, que remete a Deus e a seu amor aos humanos? Mais, a própria Trindade (perfeita comunidade) e suas relações de amor, harmonia, cooperação mutua na historia da salvação são o paradigma das relações familiares?

"A família crista e Ícone vivo e vivificante da Trindade por participar da comunhão eterna trinitária".

São muitos os cristãos de nosso tempo que, guiados por sua fé e experiência crista, voltam a descobrir a família, não para reinventá-la nem para considera-Ia como solução (mágica) a seus problemas pessoais e familiares ou como meio para fazer frente a secularização e a perda de valores tradicionais, mas para que sua vida de família, em todos e cada um de seus aspectos, componentes e dimensões, seja verdadeiramente e o mais plenamente possível uma experiência de fé e de Igreja.

A seguir, de forma breve, vamos abordar três aspectos essências, pelos quais e precise passar para se compreender a família crista na eclesial idade.

II - Eclesial idade da família crista

1. Alguns dados da Sagrada Escritura

Antigo Testamento: Na historia da salvação a família judaica tem grande importância. A família estão unidas a aliança, o sacrifício, a circuncisão, as bênçãos.
A família é o lugar das expressões das expressões principais do culto judaico (a refeição do sabat. A oração da manha e da tarde, que inclui o shema Israel etc). Momento muito especial, porque a família recorda a libertação da escravidão do Egito, é a páscoa (cf Dt 32,7; Ex 13,8).

Novo Testamento: Vamos ao encontro de um Jesus, cuja boa parte da missão realiza-se em relação com a família e em situações familiares. Contudo, a família na qual pensa Jesus não é simplesmente a de vinculo natural, e sim uma realidade nova que não é constituída pelos laços e vínculos de sangue, mas filhos e filhas que nasceram de Deus pelo Espírito Santo. É a família dos filhos e filhas de Deus, a Igreja formada por aqueles que no filho de Deus. Jesus Cristo, ...

... Cumprem a vontade do Pai.


É precise nascer de novo => Jo 3, 2-5.

Cumprir a vontade do Pai =>Mc 3,35.

Por isso não é estranho constatar que o cristianismo nasceu e arraigou-se na casa. No ambiente familiar, e mesa, para fração do pão (mais tarde a Eucaristia) e a proclamação da Palavra. A família segundo a carne e superada e transcendida pela fraternidade eclesial. De fato, se o amor esponsal e sinal do amor de Deus por seu povo e da nova e eterna aliança, a família o é da Igreja. Pode-se dizer que as primeiras comunidades organizaram-se em famílias, em grupos familiares aparentados e em casas: a casa era ao mesmo tempo morada da família, núcleo comunitário e o lugar de encontro.
Por outro lado, para São Paulo (Ef 5,21-33), o amor de Cristo pela Igreja é o paradigma do amor e da relação esponsal no matrimonio. O matrimonio cristão assumido na família adquire, por isso, uma dimensão cristológica e outra eclesiológica, a saber:

=>Cristológica: A união conjugal expressa e significa a união de Cristo com a Igreja.

=>Eclesiologica: Os esposos (uma vez pais) e em virtude do sacramento do matrimonio, são células vivas da Igreja, por esta ser sinal do amor e da entrega de Cristo; e se o matrimonio fundamenta a família, toda a família fica constituída em Igreja domestica.



Bibliografia:
[1] Cat. Igr, Cat., 1639.
[2] Cat. Igr. Cat., 1625.
[3] Cat. Igr. Cat., 1631.
01. VILADRICH, Pedro-Juan, Agonia do Casamento Legal, BRAGA (Portugal), Edições Teológica, 1978.

02. SCAMPINI, Pe. Luciano, Casais em segunda união e os Sacramentos, Aparecida - SP - Editora Santuário, 2004.


03. TABORDA, Francisco, Matrimonio -Aliança - Reino, São Paulo - SP,
Edições Loyola, 2001.

04. BORSATO, Battista, O Sacramento do Matrimonio, São Paulo - SP,
Edições Loyola, 1995.

05. OLIVEIRA, João B. e OLIVEIRA, A. de F. Fonseca, Pastoral Familiar,
São Paulo - SP, Edições Loyola, 2003.
06. PAULO II, João (papa), Carta As Famílias, São Paulo - SP, Ed. Paulinas, 1994.

07. PAULO II, João (papa), A Missão da Família Crista no Mundo de Hoje, São Paulo - SP, Edições Paulinas, 1981.

Nota sacramentos de iniciação cristã




O Batismo


É o primeiro dos sacramentos, é o primeiro grande passo para ingressar na comunidade do Povo de Deus. Ele dá origem à Igreja, pois, cada batizado, tendo recebido a vida nova de Cristo, se torna filho de Deus e irmão universal dos outros batizados; constitui, de fato, uma família única, cuja alma é o Espírito de Amor.

A comunhão dos batizados se constitui num Povo Santo. Nesse povo, os cristãos são pedras vivas e devem produzir os frutos do Espírito. Chamado ao discipulado, na Igreja, o batizado será evangelizador de seus irmãos.
Na água do Batismo, a exemplo de Jerusalém, cada um recebe o Espírito Santo para ser autentico missionário e agente transformador na sociedade de hoje.

É o sacramento da fé que nos autoriza a falar e a realizar tudo o que o Cristo falou e realizou. Ungido pelo Espírito como um povo Messiânico, ele manifesta a sua santidade num compromisso moral e social. A base ética desse compromisso é a dignidade da pessoa humana, inviolável e templo de Deus.
Configurado a Cristo no Batismo, cada cristão adquire a identidade de homem de Igreja no coração do mundo e de homem do mundo no coração da Igreja.

A confirmação

Aquele que nasceu pelo Batismo para a Igreja é enviado, pelo Sacramento da Confirmação, a dar testemunho na sociedade. É ungido para se tornar, a exemplo do próprio Cristo, um verdadeiro missionário.

É o sacramento do apostolado que faz do jovem crismado não só um agente pastoral dentro da comunidade, mas, sobretudo, um enviado pela Igreja, em nome de Cristo, para transformar a sociedade na qual vive com seus irmãos.

Para realizar tudo isso é preciso estar maduro na fé, por isso se diz que a confirmação é o sacramento da Maturidade Cristã.
A confirmação é o sacramento que confere o dom dos tempos messiânicos, infundindo coragem para testemunhar a fé. A unção e a imposição das mãos realizadas pelo Bispo, na liturgia desse sacramento, garante a apostolicidade missionária que o confirmado recebe.

A Eucaristia

Os que nasceram pelo Batismo e maturaram na fé são alimentados pela Eucaristia. A Eucaristia é o centro da sacramentalidade da Igreja porque realiza a unidade e a comunhão de todo o Corpo do Senhor. É o sinal por excelência da comunhão eclesial e da unidade visível da Igreja.

Alimento de vida eterna dá, também, animo para o testemunho da fé na vida diária. Cada Eucaristia celebrada realiza o mistério da morte e ressurreição do Senhor, fazendo do coração humano um lugar de festa e de alegria.

Cada um que se alimenta do Corpo e do Sangue do Senhor se compromete com a missão de evangelizar e libertar seus irmãos. Todo envio missionário autentico tem como ponto de partida o sacramento da Eucaristia.

§ 1324 A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa”.

§ 1325“A comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus, pelas quais a Igreja é ela mesma, a Eucaristia as significa e as realiza. Nela está o clímax tanto da ação pela qual, em Cristo, Deus santifica o mundo, como do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por ele, ao Pai”.

§ 1326 Finalmente, pela Celebração Eucarística já nos unimos à liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando Deus será tudo em todos (1Cor 15,28).
§ 1327 Em sua palavra, a Eucaristia é o resumo e a suma de nossa fé: “Nossa maneira de pensar concorda com a Eucaristia, e a Eucaristia, por sua vez, confirma nossa maneira de pensar”.

§ 1346 A liturgia da Eucaristia desenrola-se segundo uma estrutura fundamental que se conservou ao logo dos séculos até nossos dias. Desdobra-se em dois grandes momentos que formam uma unidade básica:
- A convocação, a Liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal;
- A Liturgia Eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a ação de graças consecratória e a comunhão.
Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística constituem juntas “um só e mesmo ato do culto”; com efeito, a mesa preparada para nós na Eucaristia é ao mesmo tempo a da Palavra de Deus e a do Corpo do Senhor.

§ 1362 A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial

§ 1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos torna-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.