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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Theotokos - Mãe de Deus !!!!!!!




Maria Santíssima, Mãe de de Deus

Oito dias depois da Natividade, primeiro dia do ano novo, o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima, no mistério de sua maternidade divina. Escolha acertada, porque de fato Ela é "a Virgem mãe, Filha de seu Filho, humilde e mais sublime que toda criatura, objeto fixado por um eterno desígnio de amor" (Dante). Ela tem o direito de chamá-lo "Filho", e Ele, Deus onipotente, chama-a, com toda verdade, Mãe!

Foi a primeira festa mariana que apareceu na Igreja ocidental. Substituiu o costume pagão das dádivas (strenae) e começou a ser celebrada em Roma, no século IV. Desde 1931 era no dia 11 de outubro, mas com a última revisão do calendário religioso passou à data atual, a mesma onde antes se comemorava a circuncisão de Jesus, oito dias após ter nascido.

Num certo sentido, todo o ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade,começando pela solenidade da Anunciação, a 25 de Março, nove meses antes da Natividade. Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio aquele que só ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus, que nasceu na noite de Belém.

Ela assumiu para si a missão confiada por Deus. Sabendo, por conhecer as profecias, que teria também seu próprio calvário, enquanto mãe daquele que seria sacrificado em nome da salvação da Humanidade. Deus se fez carne por meio de Maria. Ela é o ponto de união entre o céu e a Terra. Contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos. Sem Maria, o Evangelho seria apenas ideologia, somente "racionalismo espiritualista", como registram alguns autores.

O próprio Jesus através do apóstolo São Lucas (6,43) nos esclarece: "Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto". Portanto, pelo fruto se conhece a árvore. Santa Isabel, quando recebeu a visita de Maria já coberta pelo Espírito Santo, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre." (Lc1,42). O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Maria é de Jesus e Jesus é de Maria. Ou se aceita Jesus e Maria ou se rejeita a ambos.

Por tomar esta verdade como dogma é que a Igreja reverencia, no primeiro dia do ano, a Mãe de Jesus. Que a contemplação deste mistério exerça em nós a confiança inabalável na Misericórdia de Deus, para nos levar ao caminho reto, com a certeza de seu auxílio, para abandonarmos os apegos e vaidades do mundo, e assimilarmos a vida de Jesus Cristo, que nos conduz à Vida Eterna. Assim, com esses objetivos entreguemos o novo ano à proteção de Maria Santíssima que, quando se tornou Mãe de Deus, fez-se também nossa Mãe, incumbiu-se de formar em nós a imagem de seu Divino Filho, desde que não oponhamos de nossa parte obstáculos à sua ação maternal.

A comemoração de Maria, neste dia, soma-se ao Dia Universal da Paz. Ninguém mais poderia encarnar os ideais de paz, amor e solidariedade do que ela, que foi o terreno onde Deus fecundou seu amor pelos filhos e de cujo ventre nasceu aquele que personificou a união ente os homens e o amor ao próximo, o Cristo. Celebrar Maria é celebrar O nosso Salvador. Dia da Paz, dia da Mãe Santíssima. Nos tempos sofridos e sangrentos em que vivemos, um dia de reflexão e esperança.


Oração

Senhor Jesus, tu és Deus desde o princípio, mas quiseste fazer-te um de nós encarnando-te em Maria, tua Mãe. Ao iniciarmos um novo ano, permite-nos recordar a dignidade daquela que elevaste a tua humilde servidora, para que sempre imitemos seu exemplo de entrega a teus planos divinos.
Amém.

Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e Mãe de todo o povo de Deus, rogai por nós.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

VIRGEM MARIA: RAINHA DOS MÁRTIRES








A história do mundo, depositária de tantas cenas lamentáveis, apresenta-nos uma que, sobre todas, impressiona vivamente o coração.

Houve uma mãe, tão distinta pelo sangue como pela virtude, que não tinha mais que um filho. Este filho único era o mais amável dos homens, o verdadeiro tipo da inocência, da virtude e até da formosura. A mãe tinha reconcentrado todo o amor no filho, o filho toda a afeição em sua mãe. Que havia de acontecer? O que muitas vezes acontece no mundo. A virtude criou inimigos, o mérito gerou invejosos, a glória antagonistas. Todas estas paixões, ligadas por um interesse comum, puseram tudo em ação para perderem o rival que as afrontava; e, não podendo conseguí-lo de outra sorte, juraram-lhe a morte. Prenderam este filho de bênção, que atraía tudo com irresistível simpatia, acusaram-no, julgaram-no, arrastaram-no ao patíbulo, e fizeram-no arquejar e morrer sobre este. A pobre mãe teve de ver cortada, na flor da vida, a mais preciosa existência, e de ver acabar, como réu de estado, o mais amável dos homens e o mais digno dos filhos. Todos vós conheceis as duas grandes figuras que se apresentam neste drama. O filho era Jesus: a mãe, Maria Santíssima: “Jesus é chamado Rei das dores e Rei dos mártires, porque em sua vida mortal padeceu mais que todos os outros mártires. Assim também é Maria chamada com razão Rainha dos Mártires, visto ter suportado o maior martírio que se possa padecer depois das dores de seu Filho” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Este filho foi chamado Rei dos Mártires, porque ninguém sofreu nem tantas, nem tão acerbas dores; a Mãe, Rainha dos Mártires, pela mesma razão. Assim a proclamam a Escritura, a Tradição, a Igreja e a cristandade. Mas que símbolo o de sua augusta realeza; o diadema que lhe adorna a fronte não é, como o das majestades da terra, formado de ouro, cravejado de diamantes, trabalhado com esmero por hábil mão de artista. A coroa da Rainha dos Mártires é semelhante à do Rei dos Mártires — é uma coroa de espinhos, uma coroa de dores. O maior dos profetas assim o vaticinou, dizendo: “Hás de ser coroada, mas há de ser com uma coroa de desolação”. Os fatos vieram provar com exatidão a verdade desse vaticínio. A vida da Virgem foi a tradução literal do oráculo. Isaías anunciou à terra a Rainha dos Mártires. A Rainha dos Mártires apareceu na terra. Esta Rainha é Maria Santíssima, a Virgem por excelência: “Mártir dos mártires”, o nome que lhe dá Ricardo de São Lourenço. Maria, no sentir do Abade Oger, foi mártir não pelas mãos dos algozes, mas sim, pela acerba dor de sua alma.

Como merece este título...

Foi Rainha dos Mártires pela duração do seu martírio. As suas aflições foram aflições de toda a vida. O tempo que, às vezes, adoça as penas dos aflitos, nunca adoçou as suas. Ela pôde dizer, como o imortal cantor do seu país, ao terminar a carreira: “A minha vida evaporou-se na dor, e os meus anos foram anos de gemidos”, e: “Imensas... porque a acompanharam toda a vida. Imaginam alguns que Maria sentiu só e realmente na perda que sofreu de Jesus em Jerusalém e principalmente sobre o Calvário e ultimamente na soledade... porém, muitos se enganam! Foi o martírio de Maria não só o mais doloroso, mas ainda o mais prolongado” (Sacerdote da Congregação da Missão), e também: “... sofreu Maria o martírio durante toda a sua vida por ser em tudo semelhante ao Filho” (São Bernardo de Claraval), e ainda: “... o nome de Maria significa, entre outras coisas, amargura do mar” (Santo Alberto Magno), e: “Assim foi também toda a vida de Maria, sempre cheia de amargura, porque não lhe desaparecia do espírito a lembrança da Paixão do Redentor” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Revelou a Divina Mãe a Santa Brígida que, mesmo depois da morte e da ascensão de seu Filho ao céu, continuava viva e recente em seu materno coração, a lembrança dos sofrimentos dele. Acompanhava-a até nos trabalhos e nas refeições: “A Virgem passou toda a sua vida em perpétua dor, carregando no coração luto e pesar” (Vulgato Taulero).

Rainha dos Mártires, pela natureza dos tormentos. Nem ferro do algoz, nem chama de fogueira, nem dente de fera lhe tocou no corpo virginal. Mas uma espada mística, espada molhada no fel e temperada nas brasas da dor, atravessou-lhe o coração: e quando este sofre, ai de quem padece: “Convém notar que podemos chamar mártir a Maria Santíssima, e o é verdadeiramente, porque para o martírio é bastante suportar por amor de Deus tormentos e dores suficientes para causar a morte; por isso, São João Evangelista não deixou de ser mártir, porque posto na caldeira de azeite fervente, Deus quis que milagrosamente não consumasse o seu martírio” (Sacerdote da Congregação da Missão), e: “Basta para a glória do martírio, que se obedeça e submeta aos tormentos, basta oferecer a si mesmo e estar disposto até morrer” (Santo Tomás de Aquino), e também: “Cada injúria, cada flagelação, cada espinho, cada cravo que atormentava o corpo inocentíssimo de Jesus, reverberava no coração de Maria” (Sacerdote da Congregação da Missão), e ainda: “As chagas espalhadas de Jesus estavam como reunidas no sensibilíssimo coração de Maria” (São Boaventura).

Rainha dos Mártires, principalmente na consumação do holocausto do Filho. Os espinhos desta rosa mística cresceram sempre com ela. Mas foram as trágicas cenas do Calvário que puseram o último remate nessa coroa de desolação que o profeta lhe vaticinara. Foi neste monte que ela vestiu o manto, empunhou o cetro e cingiu o diadema da realeza, o diadema de Rainha dos Mártires. Foi neste monte, no monte das caveiras, que sofreu as mais acerbas de todas as dores.

Um sacerdote da Congregação da Missão escreve: “Imensidade tal que excede a todos os martírios mais dolorosos, a todas as torturas, cavaletes, brasas, espadas, ganchos de ferro... por grande que fosse a crueldade exercitada contra os mártires, tudo era leve em comparação do martírio de Maria. Assim entre todos os tormentos que inventou a barbaridade humana pelo espaço de três séculos, a fim de atormentar tantos milhões de mártires que derramaram o sangue pela fé no meio das maiores crueldades, nenhum houve que se possa comparar com o martírio desta Senhora, nem sequer, toda esta multidão de mártires reunidos pode se igualar com Maria, porque a todos excedeu nas suas dores, sendo por isso com justa razão aclamada: Rainha de todos os mártires, e como tal, justamente coroada na glória”.

Não há quadro mais admirável que o da Virgem. É uma figura colossal, assentada em larga base, que domina o céu e a terra, o tempo e a eternidade. Segundo a revelação, o sol ainda não mareava os dias, correndo com passos de gigante pela esfera celeste; a lua ainda não modificava, com seus raios emprestados às sombras da noite; as estrelas ainda não abrilhantavam a cúpula do firmamento, nem os montes arremessavam as cristas para o céu, nem os rios serpeavam pelos prados; nem as ondas açoitavam as areias e os rochedos das praias; os abismos ainda não existiam, e a Virgem já estava concebida na mente de Deus. “Nondum erant abyssi, et ego jam concepta eram”. O sábio e piedoso São Bernardo, esse gênio formado por Deus, para celebrar as magnificências de Maria Santíssima, chega a dizer: “Que Deus formou o mundo por causa dela, e que por causa dela o não destruiu depois da rebelião dos nossos pais”.

Quem diria, que tão admirável criatura, que assim ocupava o pensamento e o coração de Deus, lá no seio da eternidade, havia de sofrer no mundo tantos trabalhos e dores? Que, filha de reis, viveria em humilde fortuna, como simples mulher do povo? Que, de sangue sacerdotal, seria esposa de um operário, e comeria o pão do pobre? Que, Mãe de Deus... Mas, basta, sabeis o resto. Mas não vos escandalizeis: se a Mãe de Deus sofre, o Filho de Deus também padece. Era necessário, diz o Evangelista, que “Jesus Cristo sofresse, antes de entrar triunfante na glória!” Era preciso também, que a Virgem, associada à sua missão, lhe partilhasse o destino. E quem poderá recontar-lhe os trabalhos e dores?

As dores da Virgem datam do momento da sua elevação. Associada à missão de Jesus, devia partilhar o destino de Jesus. A missão de Jesus era sofrer; sofrer devia ser a da Virgem Maria. Associada do pensamento de Deus pela maternidade divina, começou a ser mulher de dores, desde que foi mãe do homem das dores.

O teatro das maiores delas ainda estava longe, e já via todas as cenas do drama e sentia, pela previsão, o que o tempo lhe faria sentir na realidade. Sabia perfeitamente, alumiada pelo raio da luz divina, que seu Filho seria esmagado, conforme a expressão de um profeta, como se esmaga o cacho debaixo do peso da vara do lagar; que seu sangue precioso seria derramado até a última gota, que a lança do soldado romano lho faria sair do lado, já misturado com água; que este sangue seria bebido por uma terra de escândalos.

Vê, finalmente, como num espelho, todas as circunstâncias da sua vida e morte. De Belém ao Calvário, não lhe achareis uma alegria no coração, que não seja envenenada por uma dor.

Quem poderá calcular as que ela sofreu! Jeremias quis ver se fazia a pintura deste coração aflito. Lançou os olhos ao vasto quadro da natureza; andou com a imaginação pelo céu, pela terra, pelos mares; procurou imagens que lhe traduzissem fielmente o pensamento. Recolhido depois em si, pôs-se a meditar e a compará-las e, rompendo o silêncio, disse, como se vira a filha do seu povo diante dos olhos: “A tua dor, ó sem ventura, é tão grande como o mar!” Expressão sublime! Foi o mesmo que dizer que as dores da Virgem Maria eram tantas, como as vagas deste vasto elemento, tão profundas como o abismo dele, tão extensas como seus horizontes, tão tumultuárias como as suas tempestades, tão amargas como as suas águas.

Hoje vamos ao Calvário; vamos assistir a coroação da Rainha dos Mártires. Quando a Virgem Maria chegou a este monte, já levava quatro espadas no coração. Restavam-lhe três: ver morrer o Filho, recebê-Lo morto nos braços, depois que O desceram da cruz, acompanhá-Lo à sepultura .

A Virgem viu morrer o Filho...

As palmas e os ramos de oliveira, que os filhos de Israel tinham lançado debaixo dos pés do Redentor, no dia do seu triunfo, juncavam ainda as ruas de Jerusalém. Os ecos repetiam ainda os gritos com que o povo desta cidade dava-Lhe a vitória entusiasmado nesse dia, dizendo: “Glória ao Filho de Davi; Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor”; quando o mesmo povo nos apresenta um espetáculo novo. O triunfador de ontem vai hoje ser imolado. A hora sacramental chega. Ondas de espectadores cercam o Pretório; uns lançam anátemas com ferocidade ao Enviado de Deus; outros lamentam, em voz baixa, a sorte do jovem profeta que só fez bem. Aqueles a quem Jesus Cristo beneficiara, estão confundidos na multidão e petrificados de horror. Os discípulos que pareciam valentes antes do combate, tinham fugido. Neste momento, o Calvário não é somente majestoso, como altar do sacrifício; apresenta o aspecto de um grande cadafalso de mármore negro. Um crepe lutuoso cobre a face do firmamento. O sol obscurecido deixa ver as estrelas em pleno dia, que alumiam a cena, como as lâmpadas fúnebres alumiam os túmulos. Somente um jovem galileu é fiel ao Mestre e acompanha-O até ao patíbulo, donde fugiria aterrado, se um grande amor lhe não inspirasse uma grande constância.

E a Mãe da vítima? E a Virgem? Que fez ela nesse dia? Onde estava, quando Jesus arquejava na cruz e tinha o corpo coberto de chagas e de sangue, e molhava os lábios no fel e vinagre, e ouvia as blasfêmias das turbas, e se queixava do abandono do céu com voz moribunda? Fugiu da cena, amedrontada como os discípulos? Foi chorar em algum lugar retirado o seu destino e o do Filho? Foi pedir consolações à amizade? Foi... aonde havia de ir? Acompanhou a vítima, desde que a encontrou na rua da amargura; subiu com passos trêmulos a montanha do sacrifício; abriu caminho por entre as turbas e os soldados; foi tomar posições ao pé da cruz. “Stabat mater juxta crucem!”

Que situação! Alguns amigos de Jó, sabendo dos sinistros deste grande homem foram visitá-lo, explicar-lhe o seu sentimento. Vendo, porém, o deplorável estado a que se achava reduzido, não ousaram aproximar-se do infeliz; limitaram-se a contemplá-Lo de longe. — Agar, lançada fora da tenda de Abraão, com Ismael seu filho, faltando-lhe, a água no deserto, por onde discorria, colocou-o à sombra de um zimbro, e fugiu dali gritando espavorida: “Sou mãe, não tenho coração para ver morrer meu filho”. — E a Virgem permaneceu firme ao pé da cruz, até que Jesus soltou o derradeiro suspiro! Viu-O morrer.

Que situação! Não cabe em língua de homens explicar a dor desta mãe, que presencia a morte do Filho. Mas a constância do Filho tinha passado para a alma da Mãe. O milagre das suas dores foi ainda excedido pelo prodígio de sua resignação. A natureza e a graça, o sentimento e o dever, o céu e a terra, tudo lhe torna a posição mais amarga. Mas a Virgem não treme, não desmaia... Diz Santo Ambrósio: “Maria esteve firme ao pé da cruz: ‘Stabat”. Que prodígio! À vista de um espetáculo, que sensibiliza a natureza insensível, que faz obscurecer o sol, tremer a terra, estalarem as pedras, fender-se o véu do templo, abrirem-se as sepulturas e ressuscitarem os mortos, — tem olhos, e não chora; boca e não brada; pés, e não lhe faltam debaixo do corpo; é Mãe da vítima, e não morre! Mas, assim a matéria inflamada ruge dentro do bojo cavernoso do vulcão, antes de fazer explosão e sair pela cratera; assim a dor rugia dentro do coração da Virgem antes de lhe sair, desfeita em lágrimas, pelos olhos.

Aqui, apelo para o sentimento que mais enobrece o nosso coração, para o sentimento da piedade natural. Vós o sabeis (e quantos o não terão experimentado?), o que o sangue e a amizade fazem sofrer ao pé do moribundo, que paga, tranquilo no leito, o tributo devido à natureza. Mas da Virgem é a Igreja que diz, num hino consagrado às dores da Virgem Mãe: “Vidit suum dulcem Natum, moriendo desolatum dum emisit spiritu”.

Viu seu Filho muito amado

morrendo, desamparado,

Quando por fim expirou.

A Virgem recebeu o Filho morto nos braços, depois que o desceram da cruz.

Como é triste o quadro que apresenta a natureza depois de uma grande tempestade! O trovão, é verdade, já não ribomba; o raio já não cruza os ares; o vento já não sibila. Mas vêem-se com espanto os estragos que produziu: o campo rasgado pela corrente das águas, a árvore arrancada pelo tufão, o rochedo lascado pelo raio... Que triste não é também o quadro que apresenta o Calvário depois da horrível tempestade da morte do Filho do Homem! A agitação tumultuária que ali reinava, é verdade, acabou já. O silêncio sucedeu aos alaridos e aos gritos. Já não se ouvem os martelos, que batem nos pregos da cruz, as blasfêmias, que espantam os ouvidos, as vozes que ferem os ares. Mas vêem-se os estragos da cena, que ali se representara: vê-se a vítima pendente do patíbulo, as pedras salpicadas de sangue, a lança para um lado, o vaso de bebida amarga para outro, para aqui o martelo, para ali a esponja, o monte deserto, a natureza, como pasmada.

E a Mãe da vítima? E a Virgem? Não fugiu ainda? Não. Ela, João, a pecadora convertida, algumas mulheres que tinham vindo da Galileia, permanecem mudos no monte, olhos fitos no patíbulo e na vítima. Que esperam? A ação da Providência, que fere e cura, que atormenta e consola. Ei-la! Dois discípulos ocultos de Jesus aparecem no Calvário. Trazem licença da autoridade para enterrarem o corpo, escadas para o descerem da cruz, unguentos para o ungirem, um lençol, para o amortalharem. O corpo, descido da cruz, é posto nos joelhos e nos braços da pobre Mãe. Estes são a primeira sepultura de Jesus. Descansou, antes de ir à terra, nos braços daquela em que primeiro descansara, quando nasceu.

A terna Mãe recebe nos braços o Filho morto! Abraça-se com ele! Chega a mão ao coração, para ver se ainda palpita!

A Virgem acompanhou o Filho à sepultura!

Vossos corações estremecem! Não vos admireis. Não conheceis a missão da Virgem? A sua missão é sofrer. E ela não se recusa a beber a última gota do cálice que a Providência lhe destinara. Vê-la-eis fugir das cenas de alegria; das de dor, de nenhuma, desde o berço até ao túmulo de Jesus, desde a lapa em que O viu nascer, até a gruta em que viu enterrá-Lo. Quando Jesus enchia a Palestina com a fama dos prodígios e dos benefícios e entrava vitoriosamente em Jerusalém e era aclamado pelo povo daquela cidade, a Virgem não apareceu, temendo que algum raio de glória do Filho pudesse refletir sobre sua Mãe. Mas apenas encetou a carreira dos grandes sofrimentos, uniu-se com ele, e nunca mais o deixou. Depois de o ver morrer, e de o receber morto nos braços, acompanhou-O à sepultura.

Aqui, apelo outra vez para o sentimento da piedade natural. Vós sabeis quanto sofre o coração daquele que, impelido pela amizade ou pela gratidão, sustenta na mão a tocha fúnebre, e acompanha o féretro do amigo ou do benfeitor. Julgai por aqui da amargura do coração da Virgem, acompanhando o cadáver do Filho.

A pobreza do funeral vem ainda aumentar a dor, que já não lhe cabe no peito. Quando o rei Josias, rei amigo do povo, morreu, foi pranteado solenemente por toda a tribo de Judá e por toda a cidade de Jerusalém. E qual foi o funeral de Jesus? José de Arimatéa, Nicodemos, o discípulo amado... eis aqui todo o pessoal do humilde préstito. Lágrimas de uns, suspiros de outros, saudades de todos, tais são as honras fúnebres feitas ao Libertador da humanidade. O que a Virgem sentiu, quando depositaram Jesus no sepulcro, e puseram a grande pedra na entrada e ficou sem Filho vivo e sem Filho morto! Meditai no vosso coração.

Um sacerdote da Missão escreve: “Se a experiência faz ver tão frequentemente quão amargosa é a separação de dois corações que se amam, de dois corações que têm os mesmos desejos, as mesmas santas inclinações, o que não será quando formam como um só coração, uma só alma, quando se acham tão estreitamente unidos com as mais íntimas relações? Pois tais eram os corações de Jesus e Maria”.

Eu concebo, ainda que imperfeitamente, a grandeza das dores da Virgem. O que não alcanço, é que, sendo tão grandes, lhe não roubassem a vida. Já sei, cristãos, já sei a razão, porque a espada da morte não chegou a um coração rasgado por tantas espadas. Devemos este conhecimento a uma das maiores inteligências da idade média, a Santo Anselmo: “A Virgem não morreu no Calvário, por um milagre de Deus”. A dor era para matar; mas Deus não quis que ela morresse. A Virgem sentia ânsias, agonias de morte; sentia a vista turvada, o coração convulso, o corpo frio; ia morrer, e não podia morrer.

Eis aqui como a Virgem Maria foi inaugurada Rainha no Calvário. Foi neste monte que vestiu o manto e empunhou o cetro e cingiu o diadema da sua augusta realeza, o diadema de Rainha dos Mártires.




Bibliografia



Bíblia Sagrada

Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria

Pe. João Batista Lehmann, Euntes... Praedicate!

Sacerdote da Congregação da Missão, Sagrada Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e Dores de Maria Santíssima

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Natividade de Nossa Senhora




8 de Setembro


No seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, o Pe. António Vieira diz:

"Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina. Dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;

perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;

perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;

perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;

perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;

perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança;

os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;

os discordes: para Senhora da Paz;

os desencaminhados: para Senhora da Guia;

os cativos: para Senhora do Livramento;

os cercados: para Senhora da Vitória.

Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;

os navegantes: para Senhora da Boa Viagem;

os temerosos da sua fortuna: para Senhora do Bom Sucesso;

os desconfiados da vida: para Senhora da Boa Morte;

os pecadores todos: para Senhora da Graça;

e todos os seus devotos: para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (...), dirão que nasce (...) para ser Maria e Mãe de Jesus".

Existem várias Nossas Senhoras?





Não existe nenhuma diferença quanto à Pessoa Venerada; trata-se sempre da mesma Virgem Maria, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo que aparece na Bíblia.

São apenas diferentes invocações ou títulos que lembram os lugares em que Ela apareceu, ou o modo como Ela se manifestou, ou algum privilégio de que Ela está adornada, ou finalmente algum aspecto especial pelo qual Ela deve ser venerada.

Assim, dou alguns exemplos: Nossa Senhora de Fátima. Esta invocação surgiu a partir das aparições da Virgem em 1917 na Cova da Iria -- periferia de Fátima em Portugal, onde Ela se manifestou a três pastorinhos, anunciando castigos para a humanidade se esta não se convertesse, mas que por fim seu Imaculado Coração triunfaria.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Por que Aparecida? Porque uma imagem da Imaculada Conceição foi achada -- "apareceu" -- no Rio Paraíba, em São Paulo, há duzentos e oitenta anos atrás, numa pesca milagrosa, que deu início a uma série de prodígios e bênçãos para a Terra de Santa Cruz.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição -- nesta invocação os fiéis exaltam o privilégio altíssimo dado por Deus a Nossa Senhora, o fato de ter sido Ela concebida sem pecado original, ou seja, a sua concepção foi sem mácula, sem a mancha do pecado de origem, cometido por nossos primeiros pais no Paraíso. Privilégio único.

Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos -- com esta invocação a Igreja incentiva todos os fiéis que estiverem aflitos a se voltarem com especial confiança para a Virgem Santíssima. É a Mãe e Senhora da Consolação!

E, assim por diante, cada invocação de Nossa Senhora tem sua razão de ser, sua luz, seu perfume. Haja vista a Ladainha Lauretana, que é a Sua Ladainha...

Aí está a explicação sobre as várias invocações a Nossa Senhora. E, para encerrar, como de Maria nunca é demais falar, cito as ardentes palavras de S. Luís Maria Grignion de Montfort em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem: "Jesus Cristo deu mais glória a Deus, submetendo-se a Maria durante trinta anos, do que se tivesse convertido toda a terra pela realização dos mais estupendos milagres. Oh! quão altamente glorificamos a Deus, quando, para lhe agradar, nos submetemos a Maria, a exemplo de Jesus Cristo, nosso único modelo".

Se examinarmos atentamente o resto da vida de Jesus, veremos que foi por Maria que Ele quis começar seus milagres. Pela palavra de Maria Ele santificou São João no seio de Santa Isabel; assim que as palavras brotaram dos lábios de Maria, João ficou santificado, e foi este seu primeiro milagre na ordem da graça. Foi ao humilde pedido de Maria, que Ele, nas núpcias de Caná, mudou água em delicioso vinho, sendo este seu primeiro milagre em público, na ordem da natureza. Ele começou e continuou seus milagres por Maria, e por mediação de Maria continuará a operá-los até o fim dos séculos. É Ela a Medianeira de todas as Graças.

Não existe nenhuma diferença quanto à Pessoa Venerada; trata-se sempre da mesma Virgem Maria, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo que aparece na Bíblia.

São apenas diferentes invocações ou títulos que lembram os lugares em que Ela apareceu, ou o modo como Ela se manifestou, ou algum privilégio de que Ela está adornada, ou finalmente algum aspecto especial pelo qual Ela deve ser venerada.

Assim, dou alguns exemplos: Nossa Senhora de Fátima. Esta invocação surgiu a partir das aparições da Virgem em 1917 na Cova da Iria -- periferia de Fátima em Portugal, onde Ela se manifestou a três pastorinhos, anunciando castigos para a humanidade se esta não se convertesse, mas que por fim seu Imaculado Coração triunfaria.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Por que Aparecida? Porque uma imagem da Imaculada Conceição foi achada -- "apareceu" -- no Rio Paraíba, em São Paulo, há duzentos e oitenta anos atrás, numa pesca milagrosa, que deu início a uma série de prodígios e bênçãos para a Terra de Santa Cruz.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição -- nesta invocação os fiéis exaltam o privilégio altíssimo dado por Deus a Nossa Senhora, o fato de ter sido Ela concebida sem pecado original, ou seja, a sua concepção foi sem mácula, sem a mancha do pecado de origem, cometido por nossos primeiros pais no Paraíso. Privilégio único.

Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos -- com esta invocação a Igreja incentiva todos os fiéis que estiverem aflitos a se voltarem com especial confiança para a Virgem Santíssima. É a Mãe e Senhora da Consolação!

E, assim por diante, cada invocação de Nossa Senhora tem sua razão de ser, sua luz, seu perfume. Haja vista a Ladainha Lauretana, que é a Sua Ladainha...

Aí está uma das explicações sobre as várias invocações a Nossa Senhora. E, para encerrar, como de Maria nunca é demais falar, cito as ardentes palavras de S. Luís Maria Grignion de Montfort em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem: "Jesus Cristo deu mais glória a Deus, submetendo-se a Maria durante trinta anos, do que se tivesse convertido toda a terra pela realização dos mais estupendos milagres. Oh! quão altamente glorificamos a Deus, quando, para lhe agradar, nos submetemos a Maria, a exemplo de Jesus Cristo, nosso único modelo".

Se examinarmos atentamente o resto da vida de Jesus, veremos que foi por Maria que Ele quis começar seus milagres. Pela palavra de Maria Ele santificou São João no seio de Santa Isabel; assim que as palavras brotaram dos lábios de Maria, João ficou santificado, e foi este seu primeiro milagre na ordem da graça. Foi ao humilde pedido de Maria, que Ele, nas núpcias de Caná, mudou água em delicioso vinho, sendo este seu primeiro milagre em público, na ordem da natureza. Ele começou e continuou seus milagres por Maria, e por mediação de Maria continuará a operá-los até o fim dos séculos. É Ela a Medianeira de todas as Graças.

Nossa Senhora do Belo Ramo




História




Antes do descobrimento do Brasil, existia um santuário dedicado à Nossa Senhora no sul da França, chamado de BETHARRAM, que em hebreu significa "Belo Ramo".

O nome "Belo Ramo" é justificado pela história de uma menina salva das águas. Colhendo flores nas margens do rio Gave, ela escorregou e foi arrastada pela correnteza. Desesperada, pediu socorro à Nossa Senhora e imediatamente viu perto de sua mão um galho. Segurando-o, conseguiu chegar à margem, salvando assim a sua vida.

Agradecida, a família da menina mandou fazer um ramo de ouro, que colocou na mão de sua Protetora. A partir de então, começa a devoção à Nossa Senhora do Belo Ramo.

Em 1589 o santuário foi destruído pelo fogo. A imagem da Virgem, porém, foi levada pelos devotos para a Espanha. A tradição conta que na noite do incêndio um fulgor emanava das ruínas do templo, impressionando a população, que se empenhou em reerguer a Casa de Maria Santíssima, a Virgem do Belo Ramo. Em 1616 ela foi reedificada e concluída em 1661.

Hoje, Nossa Senhora continua a nos oferecer seu filho Jesus, o nosso Belo Ramo, que nos salva das tempestades do mar da vida, nos livrando dos perigos do corpo e da alma.

A festa de Nossa Senhora do Belo Ramo acontece no dia 28 de julho, dia dedicado à ela pela igreja.




Oração à Nossa Senhora do Belo Ramo

Nossa Senhora do Belo Ramo,
que salvastes das águas
a incauta donzela arrastada pela torrente,
socorrei solícita os fiéis que depositam
toda a sua confiança aos pés
de vossa imagem venerada.
Assisti com o vosso poderoso amparo
as almas que naufragam nos erros ou que
se engolfam nas paixões;
os jovens imploram a vossa proteção,
os pais vos suplicam pelos seus filhos
ouuvi Senhora, seus rogos angustiados.
Sede a Mãe vigilante dos pequeninos,
a virtude dos moços, a força dos doentes
e o consolo dos aflitos.
A todos os que perigam em seu corpo
ou em sua alma, estendei Virgem Santa,
o Ramo Salvador:
Vosso Filho Jesus.
Amém.

sábado, 2 de outubro de 2010

Antes e depois de Maria




Antes e depois de Maria

Uma nova era na espiritualidade do gênero humano se inicia publicamente com o milagre das Bodas de Caná. Além de conferir ao casamento um altíssimo significado, Jesus inaugura a mais excelente via para se obter o perdão e a graça: confiar na mediação e na onipotência suplicante de Maria.

Pe. João Clá Dias




Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. 2 Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. 3 Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. 4 Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. 5 Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser. 6 Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. 7 Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em ci ma. 8 Tirai agora, disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram. 9 Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo 10 e disse-lhe: É costu­me servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os con­vidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora. 11 Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele (Jo 2, 1-11).


I — Antecedentes

Riqueza teológica do Evangelho de São João


“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21, 25).


Assim termina São João o 4º Evangelho, o de sua lavra. Quando o escreveu, por certo já conhecia — e de há muito — os três anteriores. Daí seu empenho em completá-los nos detalhes e aspectos mais necessários para os dias de sua divulgação. Na Ásia Menor, onde se espraiava a Igreja nascente, pululavam os erros de uma perigosa gnose ameaçadora da boa e sã doutrina deixada em herança por Jesus aos seus discípulos. Nessas circunstâncias, importava antes de tudo provar a divindade de Nosso Senhor, o Messias.


Que um homem possa ser inteligente tanto quanto um puro espírito, não é difícil excogitar. Mas admitir a união de duas naturezas — uma eterna e absoluta, outra cria­ da e contingente — numa só Pessoa, e esta divina, seria totalmente inconcebível até pelos Anjos, em sua pura natureza, se não fosse o dom da Fé. Ora, foi bem esse o objetivo de São João em seu Evangelho, ou seja, expor os principais fatos e doutrinas de modo a servirem de base para a ação do Espírito Santo sobre as almas, ajudando-as a crerem em Jesus, Homem e Deus.


Na época, não havia computadores nem impressoras, os livros se reduziam aos rolos de pergaminho, a escrita era lenta e quase desenhada. Era, pois, indispensável a São João, em vez de fazer uma narração exaustiva, condensar em poucas palavras todo um universo de pensamento e considerações. Aqui está uma das razões pelas quais, na Escritura Sagrada, cada pa­lavra é densa de significação.


Os cinco primeiros discípulos


Inicia ele seu Evangelho com uma das mais belas descrições doutrinárias, e ao mesmo tempo poética, sobre a geração eterna do Verbo e a união das duas naturezas (divina e humana) na Segunda Pessoa da Santíssima Trindade: “E o Verbo se fez carne” (Jo I, 14). Nos seus dezoito primeiros versículos, João sintetiza de maneira magistral a teologia católica relativa à divindade de Cristo.


Logo após, São João se apóia no testemunho dado pelo Batista para confirmar toda a exposição feita anteriormente, já agora na linha dos fatos históricos, seguindo os rigores de uma nobre, eficaz e irrefutável didática. O Precursor havia produzido uma verdadeira comoção em todo Israel a ponto de julgar necessário declarar: “não sou o Cristo” (v. 20), e afirmar categoricamente não ser “digno de desatar a correia das sandálias” (v. 27) de Quem viria depois dele.


A palavra de João Batista tinha peso de lei em Israel e ecoou mesmo além de suas fronteiras, ao longo de muitas décadas. Ouvia-se ainda esse eco nos dias em que o Discípulo Amado escreveu seu Evangelho. O testemunho do Apóstolo selava o do Precursor: “Eu o vi e dei testemunho de que ele é o Filho de Deus” (Jo 1, 34).


Na seqüência — depois de documentar sua transferência, juntamente com André, das mãos do Batista para as de Jesus — o Evangelista narra o chamado aos outros três discípulos (Pedro, Filipe e Natanael). Digna de nota é a manifestação do discernimento divino de Jesus em relação a Natanael, provocando neste a exclamação: “Mestre, tu és o Filho de Deus...” (Jo 1, 49).


Estes são os pressupostos para melhor se entender o primeiro e portentoso milagre do Senhor, nas Bodas de Caná.

II — O porquê do milagre
Freqüentemente, os profetas no Antigo Testamento se viam na con­tingência de comprovar por algum prodígio a autenticidade de suas previsões. Assim se deu, por exemplo, com Moisés (Ex 4, 30-31), Elias (1 Rs 18, 19-39) ou Samuel (1 Sm 12, 16-18). Ora, depois de chamar os cinco primeiros seguidores, quis o Mestre operar algo para confirmá-los na Fé, como o fizera com Natanael. Foi provavelmente por essa razão que Jesus “manifestou sua glória”, efetuando seu primeiro milagre nas Bodas de Caná, ou seja, para levar seus discípulos a crerem na divindade de sua origem e missão (Jo 2, 11).

E assim procedeu devido a uma suave e afetuosa súplica de sua Mãe. O Evangelho ressalta o importante papel de intercessora de Maria e deixa entrever seu maternal carinho para com os futuros Apóstolos ali presentes. Era o começo da realização da promessa feita por Jesus a Natanael, três dias antes: “Verás coisas maiores do que esta” (Jo 1, 50). Seu intuito de robustecer até tornar inabalável a Fé daqueles que o acompanhavam só atingiu sua plenitude com a descida do Espírito Santo. Antes disso, apesar de todas as maravilhas operadas pelo Salvador, essa virtude continuou sendo débil e imperfeita em todos eles.


Com despretensiosa simplicidade e vivacidade de colorido, João descreve a cena da qual foi testemunha ocular, deixando transparecer a grande impressão por ela causada em sua própria alma e nas de seus companheiros.

Por que durante a celebração de umas bodas?

Nesse solene começo da vida pública de Jesus, sobressai-se de forma muito especial o fato de ter Ele escolhido uma festa nupcial como cenário do início de sua missão pública. O casamento não havia ainda sido elevado à categoria de sa­cramento. Entretanto, não devemos nos esquecer de seu alto significado na sociedade judaica de então, pois, esperando a vinda do Messias, o povo atribuía não pouca importância à união entre o homem e a mulher com vistas a perpetuar a raça até o seu nascimento. As cerimônias de noivado (um ano antes), assim como as das núpcias, eram revestidas de grande solenidade e precedidas de contratos financeiros entre os pais dos cônjuges. Seria ultrapassar os limites deste artigo, descrevê-las em seus pormenores.

Por outro lado, Jesus estava iniciando sua missão pública e desejava fundar a Igreja com vistas à santificação de todos. Ora, a célula mater da estruturação social sempre foi, e nunca deixará de sê-lo, a família, como podemos constatar nas palavras de S.S. o Papa João Paulo II na Audiência Geral de 1/12/1999:


“A crise da família torna-se, por sua vez, causa da crise da sociedade. Numerosos fenômenos patológicos — indo da solidão à violência e à droga — explicam-se igualmente pelo fato de os núcleos familiares terem perdido sua identidade e sua função. Onde se desagrega a família, tende a desaparecer o entrelaçamento unitivo da sociedade, com desastrosas conseqüências para as pes­soas, em particular as mais frágeis (...)


“No Catecismo da Igreja Católica lê-se: ‘A família é a célula originária da vida social. É a sociedade natural em que o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A autoridade, a estabilidade e a vida de relações dentro dela constituem os fundamentos da liberdade, da segurança e da fraternidade no conjunto social. A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os va­lores morais, tais como honrar a Deus e usar corretamente a liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade’ (n. 2207).”


Nas Bodas de Caná, segundo a interpretação de famosos teólogos e exegetas, Jesus quis reafirmar a importância conferida pela sociedade antiga à união conjugal e santificá-la, preparando assim as vias para dar-lhe um caráter sacramental.

III — Os ensinamentos
A súplica onipotente de Maria

Caná era uma cidade de maior tamanho e influência que Nazaré. A História nada registra sobre a ori­gem das relações entre a Sagrada Família e os nubentes, nem sequer por que Jesus e Maria foram convidados para a festa. As hipóteses a respeito se multiplicam. Entre elas, menciona-se um eventual estreitamento de relações, decorrente de serviços prestados por São José ao longo do tempo.

As peculiaridades e detalhes perderam-se pelo caminho, talvez por desígnio de Deus, a fim de concentrar a atenção dos séculos futuros na tão paradigmática festa das núpcias de Caná. Ali está simbolizado o lar católico como deve ser, e indicada a conduta a seguir face aos problemas e dificuldades da vida. Ali está prefigurada a família cristã assistida por Cristo, através da intercessão de Maria. A partir desse episódio, todos os cônjuges, até o fim do mundo, devem firmar-se na certeza de que Jesus solucionará qualquer drama ou aflição, se invocarem a onipotente mediação de Maria.


Harmonia conjugal


As épocas e os povos atingem seu esplendor quando a sociedade observa com rigor os princípios naturais e divinos relativos à constituição familiar. Este vasto e delicado assunto é de capital importância. Recordemos, a propósito, as palavras de sabedoria de um famoso Padre da Igreja, São João Crisóstomo:
“Ouve, marido, o que te pede São Paulo: ‘Amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja’ (Ef 5, 25). Viste qual é a medida da obediência? Pois igual deve ser a do amor. Queres que tua mulher te obedeça como a Igreja a Cristo? Pois ama tua esposa como Cristo ama a Igreja. Ainda que tenhas de sacrificar a vida por seu amor, ainda que tenhas de suportar mil padecimentos, não terás igualado nunca o que fez Cristo. (...) Ainda quando vejas que ela te despreza e te insulta, tens de submetê-la a teus pés com cuidado, com afeto e com amizade. Não há um laço mais forte que o do amor para conciliar o marido e a mulher” (Homilia 20, sobre a Epístola aos Efésios).

A harmonia conjugal torna perene, exemplar e frutuosa toda e qualquer atividade do marido ou da esposa; sobretudo, desse virtuoso entendimento se beneficiam os filhos. Por isso afirma o Eclesiástico (25, 1 e 2): “De três coisas se compraz o meu espírito, as quais têm a aprovação de Deus e dos homens: (...) um marido e mulher que se dão bem entre si.”


Não buscar dinheiro ou beleza, ao casar-se

“Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher, porque será dobrado o nú­mero de seus anos. (...) A mulher virtuosa é uma sorte excelente, é o prêmio dos que temem a Deus e será dada ao homem pelas suas boas obras” (Ecli 26, 1 e 3). Muitos conselhos poderíamos colher da Escritura e da espiritualidade da Igreja sobre as qualidades do matrimônio e sobre o quanto deve ele basear-se na virtude e na santidade, e não em motivos inferiores como a beleza física e o dinheiro.

Fazer consistir nestes valores as razões essenciais de uma união indissolúvel, é sinal de completa insensatez, pois a beleza física se desfaz com o passar dos anos e a riqueza de um cônjuge pode trazer muita aflição de espírito. Adverte-nos ainda o Eclesiástico: “Não olhes para a formosura da mulher, e não cobices uma mulher pela sua formosura” (25, 28). “Todo o preço é nada em comparação com uma alma casta” (26, 20).

Por intercessão de Maria


E foi numa festa nupcial que, a pedido de sua Mãe, Jesus quis realizar seu primeiro milagre, para assim tornar patente aos olhos do mundo o quanto o matrimônio deve ser tomado como uma via de santificação.

Maria já se encontrava nas bodas quando chegaram Jesus e seus discípulos. Bem se pode imaginar a emoção da Santíssima Virgem ao conhecer os neo-seguidores de seu Filho. Certamente Ela os tratou, logo de início, com um carinho maternal todo feito de amor. Ali começou a se explicitar sua proteção especial por aqueles que resolvem entregar-se a Nosso Senhor Jesus Cristo. Não terá sido também em consideração aos Apóstolos — além de sua delicada atenção para com os nubentes — que Nossa Senhora pediu um milagre a Jesus

IV — A mediação eficaz
E a onipotência suplicante de Maria


À margem do profundo respeito havido no diálogo entre Mãe e Filho, a narração de São João permite levantar uma conjectura. Não é impossível que, ao longo de 30 anos de vida doméstica pervadida de afeto e mútua compreensão, o Filho tenha revelado à Mãe os grandiosos mistérios da Eucaristia. E, neste caso, Maria poderia ter pensado que havia “chegado a hora” da instituição desse Santo Sacramento e se inflamado no desejo de novamente receber em seu interior — já não como gestante, mas em sua Primeira Comunhão — o seu Filho, sob as Espécies Eucarísticas.

Ao lado de incontáveis hipóteses plausíveis, uma é inteiramente certa: Jesus operou esse milagre, por intercessão de Maria, para inculcar-nos a convicção de que, apesar de não haver chegado a hora, por uma palavra dos lábios da Mãe, Ele nos atenderá.

Eis que em Caná abriu-se uma nova era na espiritualidade do gênero humano, com a inauguração de um especial regime da graça.


Ademais, em Caná, Maria nos ensina algo muito importante. Numa análise superficial, parece inexplicável a atitude de Nossa Senhora, pois, apesar da negação de Jesus, Ela ordena aos criados fazerem tudo quanto Este lhes dissesse. Não havia Ele dito que não chegara ainda sua hora? Fica, portanto, em quem lê o Evangelho, a impressão de Maria não ter feito caso dessa resposta negativa.


Esclarecem-nos os teólogos ser esta atitude de Maria — à primeira vista um tanto obscura — uma excelente lição para nós.


Nem todas as determinações de Deus são absolutas. Há algumas que são condicionadas aos desejos e reações nossas. Ou seja, elas se cumprirão ou não, dependendo da manifestação de nossas disposições. Se Maria não tivesse recomendado aos serventes que agissem de acordo com as orientações de Jesus, os nubentes e seus convidados não teriam tomado o melhor dos vinhos da História, nem os Apóstolos assistido a tão grandioso milagre.


De onde se conclui ser importante rezarmos a Deus com fervor e constância, manifestando-Lhe nossas necessidades, pois é possível que Ele esteja à espera de nossa atitude para seguir uma ou outra via. Em Caná, aprendemos de Maria o quanto Deus quer a nossa colaboração em sua obra.


Devido a esse sublime papel de medianeira e de onipotência suplicante da Santíssima Virgem, que se inicia publicamente nas Bodas de Caná, talvez pudéssemos dividir a História da espiritualidade em duas grandes eras: antes de Maria e depois de Maria. ²

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Comentário da Oração da Salve Rainha




A Salve Rainha é uma oração bem antiga, e que tem uma estrutura impressionantemente lógica.

Poderíamos esquematizá-la nos seguintes tópicos:

1- Introdução, invocando a Virgem Maria como soberana Mãe de Deus e nossa;

2- Exposição de nossas necessidades espirituais;

3- Apresentação de nosso pedidos.

4- Saudação final.

A Salve Rainha principia, então, -- como é necessário e conveniente -- com a invocação da Virgem Maria, citando alguns de seus atributos:

"Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve!"

Assim como a "Ave Maria", a "Salve Rainha" saúda a Virgem Maria com o brado de "Salve", recordando que ela também, embora a mais alta de todas as criaturas, foi salva por Cristo, isto é, que todos os seus privilégios, dons e graças lhe foram concedidos na previsão dos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Salve Rainha...

O primeiro título que damos a Maria nessa oração é o de Rainha. Fazemos isso para como que forçá-la a nos ajudar, já que ela tem todo o poder no céu e na terra. Só Deus é onipotente. Mas Cristo quis dar a Ela a onipotência suplicante. O que Ela Lhe pedir, Ele lho concederá, pois Cristo nada recusa à sua divina Mãe.

É o que ficou provado em Caná da Galiléia.

É o que ficou ainda mais provado, quando Ela pedia a Deus que mandasse à terra o Messias Salvador: sua oração foi tão poderosa, que alcançou que Deus se encarnasse:

"Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo", disse-lhe o anjo. E disse-lhe mais: "Não temas Maria, porque achaste graça diante de Deus" (Luc. I, 28-29).

Maria é a Rainha dos anjos e dos santos , pois é Mãe de Deus, soberano absoluto. Mas nem tanto adiantaria, para nós, que Maria fosse Rainha do céus e da terra, se Ela não fosse também nossa Mãe, e Mãe plena de Misericórdia. Que nos adiantaria ser Ela nossa Mãe, se não tivesse poder? E de que adiantaria ter poder, se não fosse também nossa Mãe?

Mãe de Misericórdia...

E o segundo de seus títulos que é lembrado é que ela é nossa Mãe de Misericórdia.

E isto de dois modos: em primeiro lugar, porque, sendo a Virgem Maria, a Mãe de Jesus Cristo, nosso Divino Redentor, ela é realmente a Mãe da Misericórdia, já que Cristo se encarnou por Misericórdia de nós, pobres mortais.

Os anjos e os homens podem ter a virtude da misericórdia, mas Cristo é A Misericórdia, pois que é Deus, e, em Deus, todas as qualidades e virtudes existem em grau infinito. Deus é A Bondade, A Justiça, A Misericórdia, A Beleza, por excelência, enquanto as criaturas apenas podem ter essas qualidades em graus maiores ou menores, mas não são essas qualidades.

Em segundo lugar, Nossa Senhora é Mãe de Misericórdia, porque ela é a criatura que possui essa qualidade no mais alto grau possível, para uma criatura, e porque, sendo nossa Mãe, ela, como modelo de todas as mães, não pode deixar de ter compaixão de nós, que somos seus filhos, por nossas misérias e fraquezas.

Vida...

A seguir se lhe diz que ela é vida.

Como dissemos, somente Deus é A Vida. Jesus, filho de Maria, disse de Si mesmo: "Eu sou o Caminho a Verdade e a Vida" (Jo. XIV, 6). Deus é que nos concedeu a vida, que só Ele é. Mas, no mistério da encarnação do Verbo, Maria Virgem teve o privilégio de conceber, em seu seio virginal e puríssimo, por obra do Espírito Santo, o Verbo de Deus encarnado. Ela foi a Mãe de Deus, a mãe dA Vida. E mãe é aquela que dá a vida. Maria deu vida à Vida, assim como ensinou o Verbo de Deus a falar. Ela deu vida a Cristo, enquanto homem, a Ele que era A Vida, em Deus. Ela ensinou Cristo a falar, a Cristo, Verbo de Deus, enquanto homem. Ela deu palavra àquele que era a Palavra infinita, em Deus, enquanto Deus.

Nossa Senhora é chamada ainda de "vida" porque só por meio dela recebemos a vida da graça em nossas almas.

Deus poderia ter vindo ao mundo por muitos meios. Ele, Sabedoria infinita,-- nos ensina São Luis Maria Grignion de Montfort -- Ele escolheu o melhor meio, o mais sábio, o mais perfeito, o mais curto de todos os caminhos, para vir a este mundo. E esse caminho melhor, o mais perfeito, o mais sábio e o mais curto, foi vir até nós por meio da Virgem Maria, encarnando-se em seu seio.

Cristo é A VIDA, e veio para nos dar vida. Nos dar a vida da graça, que é participação na vida infinita da Santíssima Trindade. Porque, no universo criado, há seres que têm graus diversos de vida. As plantas têm vida apenas vegetativa. Os animais têm vida com mobilidade e sensações. Os homens têm vida racional. Os anjos, seres puramente espirituais, têm vida mais elevada que a humana, pois que a sua vida angélica é vida puramente espiritual. Deus é a VIDA.

Deus livremente quis nos comunicar uma participação em sua Vida divina, isto é, elevar-nos a uma Vida mais alta que a vida angélica, vivendo Ele, em nossas almas, por meio da graça santificante. Essa participação na Vida divina se faz pela graça habitual, ou graça santificante, que recebemos no Batismo, instituído por Cristo. O Batismo nos perdoa o pecado original, nos faz membros da Igreja, herdeiros do céu, e filhos adotivos de Deus, participantes de sua Vida infinita. Pelo batismo, somos capazes de ser como Deus, e tendo méritos infinitos.

Assim como o ferro posto no fogo adquire qualidades do fogo -- luz e calor -- continuando a ser simples ferro, assim nós, pelo Batismo, adquirimos qualidades divinas, continuando a ser puramente humanos. Ora, essa vida divina que recebemos no Batismo, pela aplicação dos méritos infinitos da redenção de Cristo, na Cruz, nós só pudemos obtê-la, porque Maria Santíssima aceitou ser Mãe de Deus encarnado, Mãe da Vida. Portanto, só participamos da Vida divina por causa de Nossa Senhora, que foi o meio que Deus quis usar para vir ao mundo, para nos salvar. Maria é, pois, a causa instrumental de nossa vida mais alta e mais perfeita, que é a vida sobrenatural, que nos foi obtida por Cristo. Por isso, nós a chamamos de vida, na Salve Rainha, porque toda nossa vida sobrenatural, que nos foi dada por Cristo, chegou até nós pelo canal de Maria.

Assim como é o sol que nos permite ver, a luz de Deus, A Verdade, Cristo, sol de Deus, só chegou até nós por Maria. O olho humano foi feito para a luz, para o sol, mas não consegue contemplar diretamente o sol. A alma humana foi feita para ver a luz de Deus, para a Verdade, mas não nos é possível ver ou compreender Deus.

Por isso, a Idade Média inventou o vitral que permite ao olho humano contemplar o sol sem ser ferido por sua luz esplendorosa, e ver a luz do sol plena de cores.

Assim também, Deus quis vir até nós por meio do vitral que é a Virgem Maria, e nós que não podíamos ver a Deus, fomos capazes de vê-Lo, como um Menino, e Ele era "cheio de graça e de verdade"(Jo. I,14). E assim como a luz passa pelo vitral sem quebrá-lo, assim Deus nasceu de Maria sem que ela perdesse a virgindade. E do mesmo modo que a luz, a mais simples das criaturas, é dividida pelo prisma, e dele ganha beleza, pois que o prisma "explicita" as suas cores, assim Deus que é simplicidade absoluta, colocou todas as suas graças em Maria, que como prisma de Deus, nos reparte as suas graças. Daí Maria ser a Medianeira de todas as graças.

Doçura...

Maria é para todos os homens a doçura.

Chamamos de doce tudo o que nos agrada suavemente. Não só um alimento é doce ao paladar . Há músicas doces aos ouvidos. Há palavras doces ao coração. Há veludos doces ao tato, como há perfumes doces ao olfato. Há movimentos doces de uma gaivota no ar, e é possível existir um andar doce e calmo por alamedas em doces ladeiras. Doce é, sobretudo, a amizade fundamentada na verdade. (E como é amargo perder um amigo que Deus nos deu, afastado por um conselho imprudente e político). Doce é tudo o que é proporcionado aos sentidos. Doce é tudo o que é proporcionado a nós. E nada é tão proporcionado ao ser humano, qualquer seja ele, do que Maria, o ser puramente humano, o mais perfeito que possa existir, porque Cristo, embora homem, é também Deus infinito. Maria é a doçura da humanidade.

Face a Maria Santíssima não temos temor. Ela é nossa Mãe plena de doçura. Por isso São Luís de Montfort lembra que, se Jesus é nosso Redentor e nosso apoio, ela, por ser nossa mãe, será sempre nossa força.

"Vous êtes Vierge Mère, ( Vós sois, ó Virgem Mãe

après Dieu mon suport. depois de Deus, o meu apoio.

Je sais qu"íl est mon Père, Eu se que Ele é meu Pai,

mais vous êtes montfort". mas vós sois meu forte")

(São Luís de Montfort, canção "Je mets ma confiance"-- "Coloco minha confiança").

Esperança...

A Salve Rainha lembra ainda a Nossa Senhora, quando a invocamos, que ela é a nossa esperança. Isso nós dizemos a ela, porque sabemos que ela tudo alcança de Jesus, seu Filho e Deus onipotente. De Deus, que tanto ofendemos, por vezes, temos receio de não mais poder esperar senão castigos. Mas de Maria, nossa Mãe, cheia de misericórdia, esperamos que rogue por nós, evidentemente, não porque ela seja mais bondosa do que Deus, mas porque é natural que a mãe peça por filhos, ainda que maus. Não pediu ela pelos noivos de Caná: "Eles não têm mais vinho"(Jo. II, 3).

E quantas vezes já não temos mais vinho em nossas almas, e só a pedido de Maria, Cristo transmuda nossa água maldosa em vinho de boas obras!

Ela é nossa esperança que a ninguém falece. Por isso São Bernardo nos lembra que, quando tudo está perdido e o barco de nossa alma está prestes a soçobrar, levantemos os olhos, contemplemos Maria. Pois não há pecador que Ela não socorra.

Salve!

Este segundo "salve", encerrando a invocação inicial, é uma confirmação do primeiro "salve" e, ao mesmo tempo, uma exclamação de alegria pelos títulos de Maria Santíssima, que acabaram de ser lembrados, e que nos dão a confiança necessária, a nós pobres pecadores, de recorrer a Mãe tão bondosa quanto poderosa.

2- Apresentação de nossas necessidades espirituais

Finda a invocação, começa a exposição de nossas misérias à Mãe de Misericórdia.

Lembramos a Ela, em primeiro lugar, que somos "exilados filhos de Eva".

"A ti clamamos, exilados filhos de Eva".

Clamamos, não só pedimos. "Clamar" é gritar por um excesso de aflição e de dor. Clama quem está nos extremos da resistência a um mal, e que já não encontra, em si mesmo, as forças necessárias para resistir, e se salvar. Lembramos a Ela que somos "filhos de Eva", isto é, que somos maus, mas que herdamos a culpa original, que nos impele ao mal. Lembramos a Ela -- a Ela que foi o oposto de Eva -- que nos alcance o bem, quando nossa primitiva mãe terrena nos deu o pecado original. Lembramos a Ela que somos seres humanos como Ela, descendentes de Eva, e que, por isso, Ela é nossa Irmã. E Irmã privilegiada, que não herdou a culpa de Eva. Ela, Imaculada, concebida sem pecado, que tenha pena de seus irmãozinhos concebidos no pecado.

E prosseguimos, dizendo a Maria Santíssima:

"A ti suspiramos, gemendo e chorando, nesse vale de lágrimas".

Lembramos a Maria nossa penosa e miserável situação espiritual, dizendo-lhe que suspiramos pelo bem perdido, gememos pelos justos castigos que merecemos, choramos pela culpa nossa, -- culpa toda nossa, nossa máxima culpa -- "nesse vale de lágrimas".

Vale de lágrimas, porque todos os prazeres deste mundo são ilusórios, e todos os seus bens são passageiros, e toda a sua glória como a flor do campo. "Secou-se o feno, e caiu a flor" (Is. XL, 7). E nossa vida passa como uma sombra, como o pássaro, que, na noite, atravessa, um momento, a claridade da fogueira. Vale de ilusões, que queremos contemplar irisado por nossas lágrimas doloridas.

Vale de lágrimas, que a mentira da Modernidade quer transformar em Reino de Deus na terra, cultuando o Príncipe deste Mundo, isto é, o antigo e mentiroso Júpiter, deus do universo, e não a "Deus Pai Onipotente, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis".

Visto, então, que Maria é tão poderosa e tão bondosa. Visto também que somos tão miseráveis e tão necessitados filhos dEla, nada mais lógico do que recorrer a Ela, dizendo-lhe a conclusão do raciocínio posto na oração.

3- Apresentação de nosso pedidos.

Essa apresentação é dividida em duas partes.

Primeiramente, rogamos que Nossa Senhora olhe para nós.

"Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei".

Nós a chamamos de advogada nossa. E Ela de fato o é. Advogada significa chamada a ser aquela que fala por nós, que nos defende. Ela, por ser nossa Mãe misericordiosa, está sempre pronta a interceder a Deus por nós, para que nos perdoe. Foi o próprio Deus que a constituiu como nossa advogada, porque o Deus infinitamente misericordioso se compraz em nos fazer misericórdia, atendendo aos pedidos dEla.

Que Ela mesma veja, por si mesma, com seus próprios olhos bondosos, a nossa grande miséria e nossa situação moral terrível.

E, em seguida, lhe pedimos o fundamental, o essencial:

"E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre".

Depois de nossa morte, depois da terrível hora de nossa morte, que Ela nos mostre Jesus.

"Mostrai-nos Jesus", isto é, que vejamos a Deus Nosso Senhor em sua glória, Ele que é o fruto bendito do seio virginal de Maria. Que contemplemos, enfim a Jesus, o mesmo Jesus manso e misericordioso para com os pecadores arrependidos, o mesmo Jesus que perdoou a Maria Madalena e ao bom ladrão, e não o Juiz inexoravelmente justo dos pecadores empedernidos.

4- Conclusão

"O clemente , ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria".

Essas três exclamações de amor foram acrescentadas, ao final da Salve Rainha, por São Bernardo, quando entrou na Catedral de Spira, ao pregar a Segunda Cruzada. Porque essa é a verdade histórica: os Santos pregavam Cruzadas e aprovavam as fogueiras inquisitoriais, porque faziam justiça e paz.

Ao pregar a segunda Cruzada em Spira, São Bernardo fez dezenas de milagres, numa só manhã, e, com eles e com sua palavra ardente arrastou a nobreza e o Imperador a se decidirem a partir para a Palestina, a combater os turcos maometanos.

Porque não há amor ao bem sem ódio ao mal. E quem ama, combate.

Como uma tocha ardente de fogo do amor à verdade e ao bem, São Bernardo havia pregado a Cruzada contra o Islam, clamando em Vézelay, citando o Profeta Jeremias:

"Maldito aquele que não ensangüentar a sua espada" (Jer. XLVIII, 10).

Depois, em Spira, tendo conseguido arrastar a nobreza e o Imperador à Cruzada, -- o que era mais do que mover montanhas -- São Bernardo, entrando na Catedral de Spira ao cântico da Salve Regina, com o coração ardendo em fogo de amor pela Rainha do Céu e da Terra, Ele exclamou, compondo os versos finais, que, desde então, foram acrescentados à essa oração sublime, ajoelhando-se São Bernardo a cada adjetivo que ele cantava à medida que percorria o corredor central da catedral, em direção ao altar-mor:

"Ó Clemens,

Ó pia,

ó dulcis

Maria".

Nossa Senhora Rainha do Mundo





"A PEQUENA MENINA DE NAZARÉ TORNOU-SE A RAINHA DO MUNDO"




“Deus depõe os orgulhosos e poderosos deste mundo e exalta os humildes”: foi o que recordou o Papa Bento XVI ao meio-dia deste domingo antes de rezar a oração mariana do Angelus, no pátio interno da residência de verão em Castel Gandolfo, comentando a festa liturgia de hoje da Realeza de Maria. Oito dias após a solenidade da sua Assunção ao Céu, a liturgia nos convida a venerar a Bem-aventurada Virgem Maria com o título de “Rainha”.“
A pequena e simples menina de Nazaré tornou-se a Rainha do mundo! Esta é uma das maravilhas que revelam o coração de Deus.“A Mãe de Cristo é contemplada ,coroada por seu Filho, isto é, associada à sua Realeza universal, como a representam muitos mosaicos e pinturas”.
Uma representação que “encontra eco significativo no Evangelho, onde Jesus diz: “Vejam, há últimos que serão primeiros, e há primeiros que serão últimos”.
“Nossa Senhora é o exemplo perfeito de tal verdade evangélica”.“Na história das cidades e dos povos evangelizados pela mensagem cristã são inúmeros os testemunhos de veneração pública, em certos casos até mesmo institucionais à realeza da Virgem Maria”. “A realeza de Maria é totalmente relativa à de Cristo”, porque “a Mãe compartilhou com o Filho não só os aspectos humanos” mas “por obra do Espírito Santo” também a “intenção profunda, a vontade divina, de modo que toda a sua vida, pobre e humilde, foi elevada, transformada, glorificada passando através da porta estreita que conduz à salvação, que é o próprio Jesus”.
“Sim, Maria é a primeira a passar através do caminho aberto por Cristo para entrar no Reino de Deus, um caminho acessível aos humildes, àqueles que confiam na palavra de Deus e se comprometem a colocá-la em prática”.

Festas e Títulos de Nossa Senhora



FESTAS MAIS COMUNS DE NOSSA SENHORA

Santa Mãe de Deus = 01 de janeiro
Nossa Senhora da Candelária= 2 de fevereiro
Nossa Senhora de Copacabada=2 de fevereiro
Nossa Senhora da Luz=2 de fevereiro
Nossa Senhora da Purificação=2 de fevereiro
Nossa Senhora das Candeias=2 de fevereiro
Nossa Senhora dso Navegantes=2 de fevereiro
Nossa Senhora de Lourdes= 11 de fevereiro

Anunciação de Nossa Senhora= 25 de março

N Senhora doDesterro=2 de abril
N Senhora da Penha=8 de abril
N Senhora do Bom Conselho=26 de abril
N Senhora das Dores =primeiro Domingo de setembro

N Senhora de Fátima = 13 de maio
N Senhora Auxiliadora=24 de maio
Visitação de N.Senhora=31 de maio


Imaculado Coração de Maria=7 de junho
Nossa Senhora Rainha da Paz=25 de junho
N Senhora do Pérpetuo Socorro = 27 de junho


N Senhora da Conceição=16 de julho
N Senhora do Carmo= 16 de julho
N Senhora da Rosa Mistica=13 de julho

N Senhora dos Anjos=2 de agosto
N Senhora das Neves=5 de agosto
N Senhora do Assunção=15 de agosto
N Senhora dos Prazeres=15 de agosto
N Senhora da Abadia =15 de agosto
N Senhora da Glória=15 de agosto
N Senhora Desatadora dos Nós =15 de agosto
N Senhora dos Impossiveis=15 de agosto
N Senhora da Saúde=15 de agosto
N Senhora do Calvário=15 de agosto
N Senhora doAmparo=16 de agosto
N Senhora Rainha=22 de agosto
N Senhora de Czestochowa=26 de agosto


Natividade de Nossa Senhora=8 de setembro
N Senhora Menina=8 de setembro
N Senhora do Monte Serrat=8 de setembro
N Senhora dos Remedios=8 de setembro
N Senhora de Campanha=8 de setembro
N Senhora das Merces =15 de setembro
N Senhora da Guia=15 de setembro
N Senhora da Piedade=15 de setembro
N Senhora da Defesa=18 de setembro
N Senhora de la Salette=19 de setembro

N Senhora do Rosário =7 de outubro
N Senhora do Bom Parto=8 de outubro
N Senhora Aparecida=12 de outubro

N Senhora do Bom Sucesso=1 de novembro
N Senhora Medianeira= 8 de novembro
N Senhora de Róccio =15 de novembro
N Senhora da Apresentação=21 de novembro
N Senhora dos Impossiveis=21 de novembro
N Senhora das Graças=27 de novembro
Apresentação de N. Senhora ao Templo= 21 de novembro


N Senhora Imaculada Conceiçao=8 de dezembro
N Senhora de Guadalupe= 12 de dezembro
N Senhora da Boa Viagem= 12 de dezembro

Festa do Sagrado Coração de Maria= No sabado apos a sexta da festa do Sagrado Coração de Jesus.

Festa do Sagrado Coração de Jesus= festa móvel, na primeira sexta após a oitava do Corpus Cristie.

FESTAS MOVEIS DE NOSSA SENHORA:

N Senhora do Divino Amor=Véspera de Pentecostes
N Senhora da Lapa=Segundo Domingo de de Julho
N Senhora da Rocha=Primeiro Domingo de Agosto
N Senhora dos Navegantes=Segundo Domingo de Agosto
N Senhora da Encarnação=Ultimo Domingo de Agosto
N Senhora de Nazaré=Ultimo Domingo de Setembro
N Senhora dos Aflitos=Ultimo Domingo de Setembro


TÍTULOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Imaculada Rainha
Nossa Senhora Achiropita
Nossa Senhora Ajuda dos Cristãos
Nossa Senhora Anunciada
Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Auxiliadora
Nossa Senhora Consolata
Nossa Senhora d’Oropa
Nossa Senhora da Abadia
Nossa Senhora da África
Nossa Senhora da África
Nossa Senhora da Agonia
Nossa Senhora da Ajuda
Nossa Senhora da Alegria
Nossa Senhora da Almudena
Nossa Senhora da Ameijoeira
Nossa Senhora da Apresentação
Nossa Senhora da Arábia
Nossa Senhora da Árvore
Nossa Senhora da Assunção
Nossa Senhora da Atocha
Nossa Senhora da Batida na Porta
Nossa Senhora da Boa Ajuda
Nossa Senhora da Boa Morte
Nossa Senhora da Boa Viagem
Nossa Senhora da Cabeça
Nossa Senhora da Cabeça Inclinada
Nossa Senhora da Cadeira
Nossa Senhora da Candelária
Nossa Senhora da Caridade
Nossa Senhora da Caridade do Cobre
Nossa Senhora da China
Nossa Senhora da Conceição
Nossa Senhora da Conceição da Nicarágua
Nossa Senhora da Confiança
Nossa Senhora da Conquista
Nossa Senhora da Consolação
Nossa Senhora da Divina Providência
Nossa Senhora da Elevada Graça
Nossa Senhora da Europa
Nossa Senhora da Evangelização
Nossa Senhora da Floresta
Nossa Senhora da Glória
Nossa Senhora da Guarda
Nossa Senhora da Hungria
Nossa Senhora da Imaculada Conceição
Nossa Senhora da Incarnação
Nossa Senhora da Lapa
Nossa Senhora da Luz
Nossa Senhora da Luz dos Pinhais
Nossa Senhora da Medalha Milagrosa
Nossa Senhora da Misericórdia de Fontanarosa
Nossa Senhora da Neve
Nossa Senhora da Oração
Nossa Senhora da Partilha
Nossa Senhora da Paz
Nossa Senhora da Penha
Nossa Senhora da Piedade
Nossa Senhora da Pradaria
Nossa Senhora da Providencia
Nossa Senhora da Revelação
Nossa Senhora da Rosa Mística
Nossa Senhora da Salette ou de la Salette
Nossa Senhora da Serra
Nossa Senhora da Soledade
Nossa Senhora da Ternura
Nossa Senhora da Vida
Nossa Senhora da Visitação
Nossa Senhora da Vitória
Nossa Senhora das Americas
Nossa Senhora das Angústias
Nossa Senhora das Boas Novas
Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Expectação
Nossa Senhora das Dores
Nossa Senhora das Estradas ou Do Caminho ou Dos Viajantes
Nossa Senhora das Graças
Nossa Senhora das Lágrimas
Nossa Senhora das Lágrimas de Siracusa
Nossa Senhora das Mercês
Nossa Senhora das Necessidades
Nossa Senhora das Neves
Nossa Senhora das Rosas
Nossa Senhora das Santas Almas
Nossa Senhora das Três Espigas
Nossa Senhora das Três Mãos
Nossa Senhora das Vitórias
Nossa Senhora de Akita
Nossa Senhora de Altagracia
Nossa Senhora de Angelina
Nossa Senhora de Angüera
Nossa Senhora de Azambuja
Nossa Senhora de Baeuraing
Nossa Senhora de Bandel
Nossa Senhora de Bandra
Nossa Senhora de Banneux
Nossa Senhora de Beauraing
Nossa Senhora de Belém
Nossa Senhora de Bistrica
Nossa Senhora de Bonária
Nossa Senhora de Bonate
Nossa Senhora de Buglose
Nossa Senhora de Caacupé
Nossa Senhora de Caravaggio
Nossa Senhora de Casalbordino
Nossa Senhora de Casaluce
Nossa Senhora de Chartres
Nossa Senhora de Chiquinquirá
Nossa Senhora de Copacabana
Nossa Senhora de Coromoto
Nossa Senhora de Cotoca
Nossa Senhora de Czestochowa
Nossa Senhora de Dong Lu
Nossa Senhora de Fátima
Nossa Senhora de Fourvière
Nossa Senhora de Gietrzwald
Nossa Senhora de Guadalupe
Nossa Senhora de Guadalupe de Estramadura
Nossa Senhora de Izamal
Nossa Senhora de Kazan
Nossa Senhora de Kevelaer
Nossa Senhora de Knock
Nossa Senhora de Kodiak e das Ilhas
Nossa Senhora de La Vang
Nossa Senhora de Lambert
Nossa Senhora de Las Lajas
Nossa Senhora de Laus
Nossa Senhora de Lavang
Nossa Senhora de Leche
Nossa Senhora de Limerick
Nossa Senhora de Loreto
Nossa Senhora de Lourdes
Nossa Senhora de Lujan
Nossa Senhora de Madhu
Nossa Senhora de Mariazel
Nossa Senhora de Medjugorge
Nossa Senhora de Misericórdia
Nossa Senhora de Monserrat
Nossa Senhora de Naju
Nossa Senhora de Nazaré
Nossa Senhora de Pellevoisin
Nossa Senhora de Pompeii
Nossa Senhora de Pontmain
Nossa Senhora de Puy
Nossa Senhora de Rocamadour
Nossa Senhora de Salambao
Nossa Senhora de Schoenstatt
Nossa Senhora de Sheshan
Nossa Senhora de Shongweni
Nossa Senhora de Sion
Nossa Senhora de Soufanieh
Nossa Senhora de Suyapa
Nossa Senhora de Tagliacozzo
Nossa Senhora de Todas as Nações
Nossa Senhora de Turumba
Nossa Senhora de Vailankanni
Nossa Senhora de Valfleury
Nossa Senhora de Walsingham
Nossa Senhora de Walsingham
Nossa Senhora de Wayside
Nossa Senhora Desatadora dos Nós
Nossa Senhora Divina Pastora
Nossa Senhora do Ambro
Nossa Senhora do Amor Divino
Nossa Senhora do Amparo
Nossa Senhora do Belo Ramo
Nossa Senhora do Bom Conselho
Nossa Senhora do Bom Despacho
Nossa Senhora do Bom Parto
Nossa Senhora do Bom Sucesso
Nossa Senhora do Brasil
Nossa Senhora do Cabo
Nossa Senhora do Calvário
Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Carmo da Légua
Nossa Senhora do Carvalho
Nossa Senhora do Coração de Ouro
Nossa Senhora do Desterro
Nossa Senhora do Divino Amor
Nossa Senhora do Divino Pranto
Nossa Senhora do Doce Beijo
Nossa Senhora do Escorial
Nossa Senhora do Golfo
Nossa Senhora do Horto
Nossa Senhora do Imaculado Coração
Nossa Senhora do Japão
Nossa Senhora do Leite
Nossa Senhora do Leite e do Feliz Parto
Nossa Senhora do Líbano
Nossa Senhora do Livramento
Nossa Senhora do Milagre de Salta
Nossa Senhora do Monte Carmelo
Nossa Senhora do Monte Carmelo de Aylesford
Nossa Senhora do Ó
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Nossa Senhora do Pilar
Nossa Senhora do Pilar de Saragossa
Nossa Senhora do Prompt Succor
Nossa Senhora do Resgate
Nossa Senhora do Rosário
Nossa Senhora do Rosário da Guatemala
Nossa Senhora do Rosário de Pompéia
Nossa Senhora do Rosário de San Nicolas
Nossa Senhora do Sagrado Coração
Nossa Senhora do Santo Rosário
Nossa Senhora do Sim
Nossa Senhora do Sorriso
Nossa Senhora do Vale
Nossa Senhora Dolorosa do Colégio
Nossa Senhora dos Anjos
Nossa Senhora dos Anjos da Costa Rica
Nossa Senhora dos Eremitas
Nossa Senhora dos Navegantes
Nossa Senhora dos Pinhais
Nossa Senhora dos Pobres
Nossa Senhora dos Prazeres
Nossa Senhora dos Remédios
Nossa Senhora dos Trinta e Três
Nossa Senhora em BelleVille
Nossa Senhora em Betânia
Nossa Senhora em Pindamonhangaba
Nossa Senhora em Umbe
Nossa Senhora em Zeitun
Nossa Senhora Mãe de Cristo
Nossa Senhora Mãe da Divina Providência
Nossa Senhora Mãe da Eucaristia
Nossa Senhora Mãe da Igreja
Nossa Senhora Mãe de Deus
Nossa Senhora Mãe do Infinito Amor
Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças
Nossa Senhora Menina
Nossa Senhora Porta do Céu
Nossa Senhora Rainha de Todos os Santos
Nossa Senhora Rainha do Apóstolo
Nossa Senhora Rainha do Rosário
Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos

Medianeira de todas a Graças



Medianeira perante o Mediador. – Todas as graças nos chegam através de Maria. – Um clamor contínuo sobe dia e noite até à Mãe do Céu. I. HÁ UM SÓ DEUS – ensina São Paulo – e há um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo, homem também, o qual se deu a si mesmo para a redenção de todos1. A Virgem Nossa Senhora cooperou de modo singularíssimo na obra da Redenção realizada pelo seu Filho durante toda a sua vida. Em primeiro lugar, o livre consentimento que prestou na Anunciação era necessário para que a Encarnação se realizasse. Era, afirma São Tomás de Aquino2, como se Deus tivesse esperado a anuência da humanidade pela voz de Maria. Depois, a sua Maternidade divina fez com que estivesse intimamente unida ao mistério da Redenção até à sua consumação na Cruz, onde Ela esteve associada de um modo particular e único à dor e à morte do seu Filho: ali nos recebeu a todos, na pessoa de São João, como filhos seus. Por isso, “a missão maternal de Maria a favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui esta mediação única de Cristo, antes demonstra o seu poder”3. Maria é a Medianeira perante o Mediador, que é seu Filho; trata-se de “uma mediação em Cristo”4, que “de modo algum impede, antes favorece a união imediata dos fiéis com Cristo”5.
Já na terra, Santa Maria exerceu esta mediação maternal ao santificar João Batista no seio de Isabel6. E em Caná, foi a pedido da Virgem que Jesus realizou o seu primeiro milagre7; São João aponta os frutos espirituais dessa intervenção: E os seus discípulos creram nele. E quantas outras vezes a Virgem não teria intervindo junto do seu Filho – como todas as mães – para obter graças que os Evangelhos não mencionam!
“Assunta aos céus, [Maria] não abandonou essa missão salvífica, mas pela sua múltipla intercessão continua a granjear-nos os dons da salvação eterna. Pelo seu amor maternal, cuida dos irmãos do seu Filho, que ainda peregrinam rodeados de perigos e ansiedades, até que sejam conduzidos à pátria bem-aventurada. Por isso a Santíssima Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Socorro, Medianeira”8.
Pela sua intercessão diante do Filho, Nossa Senhora alcança-nos e distribui-nos todas as graças, com súplicas que nunca serão desatendidas. O que é que Jesus pode negar Àquela que o gerou e o trouxe no seu seio durante nove meses, e que esteve sempre com Ele, de Nazaré até à sua morte na Cruz?
O Magistério ensinou-nos o caminho seguro para alcançarmos tudo aquilo
de que precisamos. “Por expressa vontade de Deus – ensina o Papa Leão XIII –, nenhum bem nos é concedido a não ser por Maria; e assim como ninguém pode chegar ao Pai a não ser pelo Filho, assim ninguém pode chegar a Jesus a não ser por Maria”9.
Não tenhamos reparo algum em dirigir pedidos constantes Àquela a quem se chamou Omnipotência suplicante. Ela sempre nos escuta; também agora. Não deixemos de colocar diante do seu olhar benévolo todas as necessidades, talvez pequenas, que nos inquietam no momento presente: conflitos domésticos, apertos económicos, uma prova, um concurso público, um posto de trabalho de que precisamos... E também aquelas que se referem à alma e que nos devem inquietar mais: a correspondência à vocação de um parente ou de um amigo, a graça para superarmos uma situação difícil, vencermos um defeito ou crescermos numa virtude, para aprendermos a rezar melhor...
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós... No Céu, muito perto do seu Filho, a Virgem encaminha para Ele a nossa oração, corrige-a se nalgum ponto era menos recta, e aperfeiçoa-a. II. TODAS AS GRAÇAS, grandes e pequenas, nos chegam por Maria. “Ninguém se salva, ó Santíssima, se não é por meio de Ti. Ninguém senão por Ti se livra do mal... Ninguém recebe os dons divinos a não ser pela tua mediação [...]. Quem, depois do teu Filho, se interessa como Tu pelo gênero humano? Quem como Tu nos protege sem cessar nas nossas tribulações? Quem nos livra com tanta presteza das tentações que nos assaltam? Quem se esforça tanto como Tu em suplicar pelos pecadores? Quem toma a sua defesa para desculpá-los nos casos desesperados?... Por esta razão, o aflito refugia-se em Ti, quem sofreu a injustiça acode a Ti, quem está cheio de males invoca a tua assistência [...]. A simples invocação do teu nome afugenta e rechaça o malvado inimigo dos teus servos, e guarda-os seguros e incólumes. Livras de toda a necessidade e tentação os que te invocam, prevenindo-os a tempo contra elas”10.
Nós, os cristãos, dirigimo-nos à Mãe do Céu para conseguir graças de toda a espécie, tanto temporais como espirituais. Entre estas, pedimos-lhe a conversão de pessoas afastadas do seu Filho e, para nós, um estado de contínua conversão da alma, uma disposição que nos faz sentir-nos sempre a caminho, lutando por ser melhores, por tirar os obstáculos que impedem a ação do Espírito Santo na alma.
A sua ajuda é continuamente necessária no apostolado. É Ela quem verdadeiramente muda os corações. Por isso, desde a antiguidade, é chamada “saúde dos enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, rainha dos Apóstolos, dos mártires...” A sua mão, generosa como a de todas as mães, é dispensadora de todo o género de graças, e mesmo, “em certo sentido, da graça dos sacramentos; porque Ela no-los mereceu em união com Nosso Senhor no Calvário, e além disso nos prepara com a sua oração para que nos aproximemos desses sacramentos e os recebamos convenientemente; às vezes, até nos envia o sacerdote sem o qual essa ajuda sacramental não nos seria concedida”11. Nas suas mãos pomos hoje todas as nossas preocupações e fazemos o propósito de recorrer a Ela diariamente muitas vezes, nas coisas grandes e nas pequenas, certos de que, a partir deste momento, podemos despreocupar-nos e estar em paz.
III. NA VIRGEM MARIA refugiam-se os fiéis que estão rodeados de angústias e de perigos, invocando- a como Mãe de misericórdia e dispensadora de todas as graças12. N’Ela nos refugiamos todos os dias. Na Ave-Maria pedimos-lhe muitas vezes: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte...” Essea go ra é repetido em todo o mundo por milhares de pessoas de todas as idades e raças, que pedem a graça do momento presente13; é a graça mais pessoal, que varia com cada um e em cada situação. Ainda que alguma vez, sem o querer, estejamos um pouco distraídos, Nossa Senhora, que nunca o está e conhece as nossas necessidades, roga por nós e alcança-nos os bens de que necessitamos. Um enorme clamor sobe a cada instante, de dia e de noite, à presença da nossa Mãe do Céu: Rogai por nós, pecadores,
agora... Como não nos há de ouvir, como não há de atender a essas súplicas? Unida à Santíssima Trindade como ninguém, conhece perfeitamente as nossas necessidades materiais e espirituais, e como mãe cheia de ternura roga pelos seus filhos.
Podemos estar certos de que, sempre que recorremos a Maria, aproximamo-nos mais do seu Filho. “Maria é sempre o caminho que conduz a Cristo. Cada encontro com Ela implica necessariamente um encontro com o próprio Cristo. Que outra coisa significa o recurso a Maria senão procurar Cristo, nosso Salvador, entre os seus braços, n’Ela e por Ela e com Ela?”14
É esmagador o número de motivos que temos para recorrer confiadamente à Virgem, na certeza absoluta de que seremos ouvidos sempre que lhe recordarmos que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse
recorrido à vossa protecção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem das virgens, como a Mãe recorro [...]. Não desprezeis minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus...15
Neste próximo mês de Outubro, o mês da Virgem do Rosário, recorreremos a Ela rezando com mais atenção o terço, como pede a Igreja e os Papas nos lembram constantemente. É a oração preferida da Virgem16, e aquela que nos sai de dentro pela nossa condição de pecadores sempre necessitados de perdão:
“«Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço mais do que aumentar todos os dias o número dos meus pecados...»
Disseste-me o outro dia que falavas assim com a Nossa Mãe. “E aconselhei-te, com plena segurança, que rezasses o terço: bendita monotonia de ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados!”

17 (1) 1 Tim 2, 5-6; (2) São Tomás de Aquino, Suma teológica, III, q. 30, a. 1; (3) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 60; (4) João Paulo II, Carta EncíclicaRed e mpt o ris Mater, 25.03.87, 38; (5) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium; (6) cfr. Lc 1, 14; (7) cfr. Jo 2, 1 e segs.; (8) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 62; (9) Leão XIII, Carta Encíclica Octobri mense,22-IX-1891; (10) São Germano de Constantinopla, Homilia em Sanctae Mariae Zonam; (11) Réginald Garrigou-Lagrange, Las tres edades de la vida
interior, Palabra, Madrid, 1982, vol. I, pág. 144; (12) Missal Romano, Missa da Virgem Maria,
Mãe e Medianeira da graça, Prefácio; (13) cfr. Réginald Garrigou-Lagrange, Las tres edades
de la vida interior, vol. I, pág. 144; (14) Paulo VI, Carta Encíclica Mense maio, 29-IV-1965; (15)

Oração
Le mb ra i- vos; (16) cfr. Paulo VI, Carta Encíclica Mense maio; (17) São Josemaría Escrivá,S ul co, n. 475.

Os Apelos de uma Carinhosa Mãe




Maria é, antes de tudo, Mãe assaz extremosa para com todos os homens do universo. Estes, que são criaturas de Deus e, assim sendo, filhos de um mesmo Pai dos Céus, ontem, hoje e para a eternidade. Deus envia a Virgem Maria em todas as partes do mundo, por meio de inúmeras aparições, para nos oferecer mensagens de paz, de verdade e de vida; Maria é enviada, igualmente, para que regressemos a Deus, à oração, à Igreja, ensejando a nossa completa felicidade.



Maria tem algo a nos dizer. Ela deseja falar a cada um de nós. Reservemos um pouco do nosso tempo para ouvi-la! Ninguém nos ama mais do que ela, a não ser o próprio Deus...



As aparições marianas no mundo


Não devemos pensar que as aparições Marianas sejam algo de excepcional: Maria é a mãe que está muito próxima de seus filhos, Aquela que nos foi dada por Cristo e que se ocupa, verdadeiramente, de cada um de nós, mesmo que não o faça apenas por meio de suas aparições.



Muitos se perguntam por que é que Deus envia quase sempre a Santa Virgem, e com menos freqüência, todos os outros santos do céu... Evidentemente, a resposta não seria que o próprio Deus estivesse sofrendo desta "mariolatria" tão denunciada na terra (ainda que os danos reais deste culto a Maria não sejam patentes...). A explicação encontra-se, na verdade, no papel indispensável, único e magnífico que o Senhor quis confiar à sua Mãe na economia da Salvação.



Maria é Aquela que nos foi dada por Cristo e Ela é, igualmente, Aquela que nos conduz a Ele! Este papel Ela o desempenha de maneira ativa, sobretudo por meio de Suas aparições: os peritos da 42ª semana mariana, realizada em Saragoça, em 1986, enunciaram pelo menos 21.000 aparições marianas, desde o ano 1000, apesar de a Igreja ter autenticado, oficialmente, apenas algumas.



Ao longo do século XX, foram relacionadas cerca de 400 aparições marianas (ou pretensas aparições), 200 das quais, entre 1944 e 1993



A grande maioria das aparições marianas se faz acompanhar de sinais e prodígios extraordinários, como se fosse a “assinatura de Deus” autenticando suas obras. O Bispo da diocese local reconheceu oficialmente o caráter sobrenatural de sete aparições entre tantas:

Fátima (1917 - Portugal),
Beauraing (1932 - Bélgica),
Banneux (1933 - Bélgica),
Akita (1973 - Japão),
Siracusa (1953 - Itália),
Betânia (1976 - Venezuela),
Kibeho (1981 - Ruanda),
aos quais torna-se necessário acrescentar

Zeitoun (1968 - Egito)
Shoubra (1983 - Egito),
Reconhecidos pelo Patriarca da Igreja Copta.



Em 17 dos casos, o Bispo – além de se debruçar sobre o caráter sobrenatural dos fatos - autorizou a expressão do culto nos locais de aparição. Setenta e nove das aparições receberam um ulgamento negativo ou reservado mas, na maioria dos casos, a Igreja não vê necessidade de se pronunciar oficialmente, se o culto e as orações que surgem no local são considerados práticas saudáveis de fé.



O essencial, de fato, está no acompanhamento pastoral das aparições que deve permitir que a semente plantada pela Santa Virgem germine e se desenvolva, plenamente, sem que se misture ao joio, em excesso, para que possa produzir todos os frutos da graça que o Céu espera da sua intervenção...



A Virgem Maria no cerne da cultura de vida


Maria é a Mãe da Vida: Primeiramente, pela Encarnação ela acolheu em seu seio Aquele que é a própria Vida, o Verbo divino "que veio para dar a sua vida ao mundo"; em seguida, no momento da Paixão, ela acolheu, ao pé da Cruz do Gólgota, a maternidade universal abraçando cada um dos filhos dos homens, que seu Filho crucificado lhe designava, mostrando-lhe o apóstolo João: "Eis o teu filho!"... (cf. Jo 19, 26).



Maria está, pois, no cerne da cultura de vida, tanto no plano natural quanto no plano sobrenatural. Na qualidade de mãe do Menino Jesus, ela, como qualquer mãe, tem a experiência da maternidade humana e de tudo aquilo que implica o doar-se, a doação total, a educação do dia-a-dia, de uma criancinha até a idade adulta. Jesus não viveu a vida da Sagrada Família em Nazaré durante trinta anos? Na qualidade de Mãe dos homens e da Igreja, Maria exerce a maternidade espiritual abrangendo todos os que aceitam a aliança com seu Filho, por meio do batismo cristão.



Do mesmo modo, a contemplação de Maria e de José, no seio da Sagrada família de Nazaré, ilumina, com uma luz mais pura, límpida, e mais renovada, as vocações respectivas do homem e da mulher; Maria e José se amavam e mesmo que este amor fosse vivido em castidade total, eles eram casados e viviam um verdadeiro matrimônio de alma e coração. Porém, quantos obstáculos humanamente penosos poderiam ter quebrado, despedaçado tal amor!



Desde então, como não nos voltarmos, particularmente a Maria, mãe, esposa, educadora e portadora d´Aquele que é a própria Vida, especialmente no que diz respeito aos problemas que tangem à vida familiar, à educação, à acolhida da vida e do amor do casal?



As intervenções de Maria na História


Um dos fatos mais impressionantes da fé cristã é o de constatar que Jesus e Maria estão vivos e que ambos são capazes de agir concretamente na história dos homens assim como na história pessoal de cada um.



Ao longo da história, a Virgem Maria se manifestou, respondendo às preces de seus filhos, para acabar com as guerras (Vladimir, Lourdes, Pontmain etc.), invasões (Poitiers, Lepante etc.), enfermidades (Lille), curas (Lourdes). Manifestou-se, igualmente, como guia (Fátima, La Salette, Kibeho), para trazer reconforto (Czestochowa etc.), para proteger crianças (Zeitoun, Rue du Bac etc.), para ajudar os nascimentos (Cotignac etc.), para tocar o coração de todos (Civitavecchia, Soufanieh, Syracuse, ...) etc.



Para agradecer a sua presença maternal e a certeza desta sua solicitude, os cristãos rezam a Ela, há séculos, dizendo-lhe:



"Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria,

que jamais se ouviu dizer

que algum daqueles que tivessem recorrido à Vossa proteção,

implorado o Vosso socorro e invocado o Vosso auxílio,

fosse por Vós desamparado.

Animado, eu, pois, com igual confiança, a Vós,

ó Virgem, entre todas singular, como à minha Mãe recorro..."



Sim, realmente, Maria pode intervir por nós, por cada um de nós, desde que rezemos solicitando a sua intercessão e que seja para a glória de Deus...



Jesus e Maria formam, ao que parece, um ser vivo único sobre a terra.


Nesta frase, o cardeal Bérulle mostra como, no Amor, os dois Corações, o de Jesus e o de Maria formam um só Coração... Então, de que forma podemos melhor chegar a Jesus a não ser passando por Maria, sua Mãe? E por que não nos deixarmos guiar e educar, na vida cristã, por Aquela que, na terra, foi encarregada pelo Pai do Céu de educar seu próprio e único Filho?



Maria, nossa Mãe, não é, na verdade, a pessoa mais indicada para nos ensinar a orar, a viver segundo a mensagem do Evangelho, a freqüentar os Sacramentos da Igreja, em suma, a imitar Jesus, na total consagração de todo o nosso ser?



"Sua mãe guardava fielmente todas essas coisas, meditando-as em seu coração." Desde o momento em que Jesus está vivo em Maria, fazendo parte dela, o seu coração está unido ao coração de Maria.



Maria está, portanto, viva em Jesus e Jesus é tudo para ela; o coração de Maria está muito próximo ao coração de Jesus e dá-lhe vida, inspira-lhe a vida; Jesus e Maria são, ao que parece, um Ser único sobre a terra. O coração de um não vive e não respira sem o outro. Estes dois corações, o de Maria e o de Jesus, tão próximos e tão divinos, vivendo juntos uma vida tão elevada e sublime, não existindo um sem o outro, o que não farão amalgamados, um ao outro, um pelo o outro? Somente o Amor o pode conceber, o Amor único, divino e celeste; e somente o Amor de Jesus o pode compreender...


Ó coração de Jesus, que vive em Maria e através de Maria! Ó coração de Maria, que vive em Jesus e para Jesus! Ó deliciosa união destes dois corações! O coração da Virgem é o primeiro altar no qual Jesus ofereceu seu coração, seu corpo, seu espírito em Hóstia de louvor perpétuo, e no qual Jesus oferece o seu primeiro sacrifício e faz a primeira e perpétua oblação de si mesmo.


(Opúsculos de Devoção, 1002; Vida de Jesus 497, 502)